Como Fazer Seu Exame De Consciência (Com Ilustrações!)

27/02/2021

Nos últimos anos, alguns notaram uma crise generalizada na Igreja em relação à prática do exame de consciência. Por um lado, para muitos, tornou-se um exame legalista (basicamente colocando-se no tribunal), feito exclusivamente no contexto da confissão, que pode produzir efeitos colaterais como escrúpulos, depressão e desânimo - em alguns casos, até mesmo se aproximando da ansiedade patológica. Por outro lado, em reação, outros se deslocaram em direção a uma psicologia mais secularizada, totalmente drenada do espiritual. Exercícios de auto-observação destinados a alcançar a "higiene mental" (em que, basicamente, o importante é que me sinto bem comigo mesmo) substituíram as práticas mais tradicionais e holísticas.

Então qual é o problema? Muito simples: em cada um dos erros acima, o foco do meu exame de consciência sou eu, quando, corretamente entendido, deveria ser Deus e eu.

Primeiramente, gostaria de apresentar algumas ideias-chave para ajudar a entender o contexto teológico e espiritual apropriado para o exame de consciência. Eu quero definir o cenário corretamente antes de colocarmos os atores para trabalhar! Para todos vocês pragmáticos por aí, sejam pacientes... chegaremos ao "como fazer" em breve.

Traga a memória de volta!

Nos dias de hoje, foi dada à memória um pen drive. Há até um aplicativo para isso, certo? A memória foi reduzida a armazenamento de dados. A memória é como uma peça extra que se conecta à nossa placa-mãe. É útil, mas não afeta nossa vida diária (nosso sistema operacional). A primeira coisa que precisamos fazer, então, é ter em mente que, quando me lembro de um acontecimento em minha vida, não estou apenas recordando informações; em vez disso, em certo sentido, estou re-vivendo o passado.

A palavra memória vem do verbo latino, re-memor. "Re" expressa força intensiva, enquanto "memor" refere-se à mente ou ao coração. Então, podemos dizer que lembrar é reinserir algo de volta no coração. Evidentemente, nosso modelo aqui é Maria; ela sabia como "guardar todas as coisas no seu coração" (Lc 2, 51).

Dê uma olhada nesse vídeo. Uma jovem esposa, lutando para salvar seu casamento, leva o marido para os lugares onde se apaixonaram pela primeira vez, como que para ecoar o Livro do Apocalipse: "arrefeceste o teu primeiro amor." (Ap 2, 4). O que vem em seguida? "Lembra-te, pois, donde caíste".

Morte ao moralismo

A próxima pergunta é: "O quevamos lembrar?" Muitos consideram o exame de consciência uma ferramenta que nos ajuda trazer a mente (ou seja, a lembrar) nossos pecados e falhas durante um período de reflexão silenciosa, antes de abordar o sacerdote em Confissão. Isso é verdade. O exame de consciência é isso, mas se é apenas isso, então estamos nos preparando para alguns sérios reveses espirituais.

Bento XVI colocou isso de forma perfeita quando ele disse:

"Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo." (Deus Caritas Est, Introdução).

Moralismo é quando você age por causa de uma regra, não por causa de alguém. É a ética com Alzheimer; o senhor idoso compra flores, mas só porque é seu hábito ... ele esqueceu o rosto de sua amada. Quem quer abrir a Bíblia em Êxodo 20 (onde está os Dez Mandamentos) enquanto pula todas as coisas boas que aconteceram nos 19 capítulos anteriores (Deus libertando seu povo da escravidão)?

Vida longa para história de amor!

O coração da nossa fé é o nosso relacionamento com Deus. Relacionamentos dependem de encontros. Fazendo uma dedução a là Sherlock Holmes, podemos concluir que o queprecisamos lembrar acima de tudo são dos encontros, mais especificamente, dos nossos encontros com Deus.

Agora, para provar que não sou eu quem está inventando isso: o que mais é a Bíblia, além de uma série de encontros entre Deus e o homem? De fato, eu diria que nossa fé é em grande parte uma lembrança da atividade de Deus. O Êxodo está repleto de atividades incríveis! Seu povo escolhido espancado e assolado, Deus entra e salva a donzela (Israel) em perigo. As celebrações com fogos de artifício do "Dia da Independência" Americana não são nada comparadas com a canção de louvor que encontramos em Êxodo 15:

"Cantarei ao Senhor... Lançou no mar os carros do faraó e o seu exército... Conduzistes com bondade esse povo, que libertastes..."

Somente depoisde comprovar inequivocamente seu amor misericordioso por seu povo, Deus revela-lhes a lei que os levará a um relacionamento mais autêntico com Ele. Isso significa que todo exame de consciência deve começar com uma canção alegre que relembra os grandes feitos do amor misericordiosode Deus em nossa história, seja anos que se passaram, seja esta manhã, no café da manhã.

É hora de reestruturar as fundações

Quer estejamos cientes disso ou não, nossa vida cotidiana é enormemente afetada pelo que nos lembramos. Vejamos um exemplo: as coisas em casa não estão indo muito bem e, enquanto você está na rua tratando de alguns afazeres, recebe uma mensagem que realmente lhe tira do sério. Furioso, você está voltando para a casa, mas, no caminho, logo dá de cara com um engarrafamento de tamanho cósmico. Você está preso nele já por cerca de 25 minutos, fumegando de raiva. "Ótimo", você diz, "exatamente o que eu preciso!"

Agora, num momento de dificuldade ou sofrimento, é extremamente difícil reconhecer algo positivo, muito menos a presença de Deus. Mas, mais tarde naquele dia, enquanto você está fazendo seu exame de consciência, percebe que tem duas opções: 1) pode ficar com essa sensação de frustração e impaciência por ter passado por não uma, mas duas provações hoje, ou 2) você pode se perguntar se Deus talvez estivesse acompanhando você durante todo o dia e, na verdade, aquele engarrafamento era o modo de lhe dar tempo para extravasar sua raiva antes de causar mais mal do que bem em casa.

A presença de Deus é aquela que sempre traz vida. Ao descobri-la, mesmo aquelas situações que parecem oferecer apenas escuridão e dor começam a adquirir uma nova luze significado: elas são, em certo sentido, transfiguradas e ressuscitadas por Sua presença.

Ainda assim, temos que ter cuidado com o pensamento positivo simplista ou o otimismo forçado/falso. A questão não é 'o que de positivo eu posso tirar disso', mas sim, 'Deus, como você estava presente?' Devemos estar abertos ao fato de que muitas vezes Deus está de fato presente e trabalhando em nossas vidas mesmo durante as piores circunstâncias. Essas feridas podem permanecer, mas quando nos são oferecidas em confiança e obediência, elas se tornam feridas de glória que manifestam a salvação amorosa de Deus em nossas vidas.

Duas práticas fundamentais que nos ensinam e nos permitem alcançar essa reestruturação são meditar as Sagradas Escrituras e participar ativamente da Liturgia.

As Sagradas Escrituras: A Memória Cristã

Você já sentiu aquela vontade espontânea de aprender mais sobre sua família? Será que na linha de seus antepassados tem algum santo? Ou talvez seus bisavós fossem emigrantes heróicos, ou bravos soldados, ou até mesmo frágeis pecadores.

Poucos cristãos realmente valorizaram em seus corações as memórias do Povo de Deus. A meditação diária sobre as escrituras é fundamental! O Antigo Testamento nos ensina constantemente sobre as vitórias e derrotas (mais derrotas do que realmente as vitórias) do Povo de Israel e como Deus nunca desistiu deles, como o seu amor misericordioso se abaixou e os abraçou várias vezes.

O Novo Testamento também está repleto de detalhes do amor misericordioso de Deus, que se torna carne e morre para que o homem possa viver Nele. Lembrar esses encontros, revivê-los diariamente substitui nossos fracos fundamentos (memórias sem Deus) por cristãos (memórias cheias de Deus). Isso não significa que não teremos mais lembranças dolorosas, significa, no entanto, que não estamos mais vivendo elas sozinhas. (embora às vezes acabemos tendo memórias ateístas - lembrando tempos e lugares quando negamos a existência de Deus).

Liturgia: onde a memória de Deus e a memória do homem se encontram

Como veremos em maior detalhe, tudo isso visa aprender a lembrar como Deus se lembra, aprender a olhar para a História - e, em última análise, para a nossa história pessoal - com os olhos de Deus. As Sagradas Escrituras nos introduzem nesta escola, e na Liturgia a vivemos de maneira muito especial.

Como dissemos antes, lembrar é re-viver; isso na Liturgia atinge seu máximo cumprimento.

Respondendo ao convite de Cristo para "fazer isso em memória de mim", estamos nos lembrando do Mistério Pascal (a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo) no sentido mais profundo do termo, isto é, estamos re-vivendo-o.

Graças ao Espírito Santo, a memória torna-se verdadeira participação; a memória do nosso encontro com Deus torna-se verdadeiro encontro de um modo inteiramente novo.

É aqui que a memória de Cristo, de quem Ele é, o que Ele fez por nós e comoEle nos vê transformanossa memória (como vemos nosso passado) e remodela nossa mentalidade em geral. Transforma a maneira como vivemos, nossa atividade moral e a maneira como julgamos nossas próprias vidas.

É hora de história!

Gosto da idéia de "contar histórias" porque acho que o exame de consciência precisa ser um momento em que nos colocamos na presença de Deus e recontamos a história de nossos dias, narrando tanto os momentos brilhantes quanto os obscuros.

Este não é um momento para monólogos apenas, no entanto! Você deve se revezar. Primeiro você conta sua história, então permita que Deus reconte a história do Seu próprio ponto de vista. Gênesis 45: 4-5 é um belo exemplo disso. José, depois de ter passado por longas e dolorosas provações, irrompe em lágrimas diante de seus irmãos que o traíram:

"Aproximai-vos... Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito"

Este é o nosso relato da história, as coisas verdadeiras, mas contadas apenas do ponto de vista dele. Não há necessidade de adoçar as coisas aqui, José foi traído da pior maneira e vendido como escravo. Sua vida foi potencialmente arruinada da pior maneira, tudo porque eles estavam com ciúmes dele.

José, sendo um homem santo de fé, no entanto, não se atém apenas a isso, ele vai além. Ele permite que a visão de Deus das coisas transfigure sua própria visão de sua história e a transforme em uma história de salvação, tanto para si quanto para os outros:

"Mas agora não vos entristeçais, nem tenhais remorsos de me terdes vendido para ser conduzido aqui. É para vos conservar a vida que Deus me enviou adiante de vós."

Esta é a alegria de um exame de consciência bem feito: contamos a nossa história - muitas vezes cheia de dificuldades e fragilidades - do nosso ponto de vista, mas depois escutamos a Deus e permitimos que ele revele sua presença, sua providência, sua ação em nossas vidas, que leva em conta nossas fragilidades e consegue fazer maravilhas, todavia; e, ao fazê-lo, nossa memória é diariamentetransformada por sua graça em memória de salvação.

Muito mais poderia ser dito (e dito melhor), mas espero que as idéias acima o ajudem a situar essa prática real em um contexto autenticamente cristão. O que segue abaixo é uma explicação mais prática e passo-a-passo para ajudá-lo a começar a prática do Exame de Consciência:


1. Abra-se para a presença de Deus

Dica prática: encontre um canto tranquilo em sua casa ou em uma capela. Ter uma imagem sagrada à sua frente é ideal. Acenda uma vela. Tire alguns momentos para respirar e relaxar. Comece fazendo o sinal da cruz.

De vez em quando, quando uma criança está brincando, ela olha para trás só para ter certeza de que sua mãe ou pai está olhando para ele. No olhar, ele encontra segurança, coragem, alegria ... em outras palavras, ele encontra amor. Este primeiro momento do nosso exame de consciência é um tempo para voltar o olhar do nosso coração na direção do Senhor e redescobrir o seu amor por nós. Ler uma breve passagem da Sagrada Escritura pode ser útil também.

2. Deixe Deus mostrar o álbum de fotos

Você já se sentou ao lado de um avô enquanto ele mostrava o álbum de fotos de seus filhos? Você se lembra de todo o carinho, afeto e intimidade que ele exalava? Agora é hora de deixar Deus fazer o mesmo. Antes de rever nossos dias, a ideia é lembrar quem somos do ponto de vista de Deus: filhos amados.

Tente recordar algumas passagens da escritura (o álbum de fotos de Deus). Deixe-o contar sobre como ele resgatou Israel, como ele tirou José de uma situação difícil, como ele perdoou Davi. Lembre-se, a liturgia e a Sagrada Escritura são as duas fontes em que nossa própria memória é renovada e transformada na memória de Deus. Lembre-se da paciência e fidelidade que Deus mostrou ao povo de Israel. Lembre-se de quantas vezes a fragilidade humana parecia ter tido a última palavra, até que Deus encontrou uma maneira de mostrar que ele é o Senhor da história e o Senhor da nossa história também. Lembre-se de todas aquelas pessoas que Jesus amou, todos aqueles corações que ele tocou, todas aquelas feridas que ele curou ... lembre-se de que você está agora mesmo na presença daquele mesmo Jesus. Pense em como ele pode falar dessas pessoas e lembre-se de que ele pensa em você da mesma maneira.

3. Dialogue sobre o seu dia com Jesus

Com tudo isso em mente, revise seu dia, mas faça isso em diálogo com Jesus. Examine os principais pontos do seu dia: o que lhe impressionou, o que era bonito, o que foi difícil, o que não estava claro, etc. Não precisa ser rígido aqui, dê à sua memória um pouco de espaço e tempo e permita que as coisas fluam suavemente .

Depois de terminar, pare, faça uma pausa e fique em silêncio. Aqui, queremos ouvir de perto nossos corações. Lembre-se que isto é um diálogo, não um monólogo. Antes de abordar os detalhes, tente meditar sobre onde você acha que o Senhor pode estar te guiando por conta do está vivenciando, pelas suas atitudes, suas ações, seus encontros, seus pensamentos, suas provações, suas vitórias, etc.

  • Senhor, quem você me chama para ser? Senhor, quem você vê quando olha para mim?
  • Senhor, como você está trabalhando na minha vida? Onde está você?
  • Senhor, de que maneira estou me aproximando de você? De que maneira estou me afastando de você? Estou fazendo os outros o centro da minha vida?
  • Eu estou cooperando com você? Estou percebendo e ouvindo sua voz?

4. Assuma suas faltas

Agradeça a Deus profundamente pelo modo como ele está trabalhando em sua vida, por ele nunca desistir de você. Ao fazer isso, é natural também reconhecer que não não tem sido um filho ou uma filha fiel. Você tropeçou no caminho. Você negou sua própria identidade. Você rejeitou o verdadeiro olhar de Deus sobre si mesmo e sobre outros e impôs sua própria visão.

Agora... é importante tentar reconhecer o que você fez especificamente, bem como algumas possíveis causas do porquê. O que te levou a agir da maneira que você agiu? Como você pode evitar ou melhorar da próxima vez?

Esta parte pode ser difícil, mas confie que misericórdia e liberdade a um passo de você. Quando você reconhece suas faltas, não brinque. Admita que foi você quem as fez, que você é responsável por essas ações. Lembre-se, sem responsabilidade, não pode haver reconciliação.

Às vezes podemos ser excelentes em justificar ou suavizar nossos próprios pecados. Jesus é misericordioso e amoroso, mas ele também é a verdade. Se você não tem certeza se algo foi um pecado ou apenas uma tentação, eu sugiro que você dê uma olhada aqui. Fazer uma lista de possíveis pecados pode nos dar uma visão mais objetiva das coisas. Online você pode encontrar uma infinidade de bons materiais que podem ajudá-lo com este passo:

  • Agência Católica de Informações: Exame de Consciência 
  • O aplicativo "Católico Orante" - para iOS e Android - oferece exame de consciência e preparação para confissão.

5. Renove seu Batismo: Indo da Morte para a Vida

Muitas vezes, depois de reconhecer uma falta ou um pecado, a tentação é pensar: "Ok, como posso consertar isso?" O pecado é algo, no entanto, que pode ser "consertado", e certamente não por nossa própria força. O pecado precisa ser perdoado. Além disso, o pecado causa feridas. Feridas precisam ser tratadas e curadas; caso contrário, elas apodrecem.

Sendo assim, ao chegar ao fim do seu exame de consciência, agora é a hora de mergulhar seus pecados no Rio Jordão. Somos batizados apenas uma vez, mas muitas vezes nos esquecemos de renovar nossa consciência de sermos batizados. Muitas vezes esquecemos que "o Batismo é o primeiro e principal sacramento para o perdão dos pecados: une-nos a Cristo morto e ressuscitado e dá-nos o Espírito Santo" (CCC 985).

Coloque-os, então, sobre o altar e permita que o Espírito Santo transforme essas realidades letais. O arrependimento autêntico abre espaço para que o Espírito Santo aja: a desobediência a Deus agora se torna um ato de arrependimento, de obediência. Algo novo, algo bom, algo bonito nasce: o sentido de ser filho está criando raízes em seu coração!

A parábola do filho pródigo é uma ilustração maravilhosa: uma vez rebaixado, esfarrapado e destinado a se alimentar de restos de comidas de porcos, ele retorna, arrependido, aos braços misericordiosos de seu Pai, e é mais uma vez adornado com as roupas condizentes à sua filiação.

Tenha em mente que este ato diário de arrependimento deve andar de mãos dadas com a confissão mensal. Chamados pelos santos Padres de "um tipo de batismo laborioso", o sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram após o batismo. Se você se conscientizar de ter cometido um pecado mortal, então você deve procurar confessar-se o quanto antes (e se abster de receber a comunhão). Se você não tem tanta certeza sobre a diferença entre pecados mortais e veniais, pode dar uma olhada na explicação do Catecismo.

6. Elabore um Plano de Jogo

Nos esportes, um bom treinador sempre reserva um tempo para analisar o jogo da semana passada com sua equipe. Podemos seguir um plano de jogo semelhante na vida espiritual. Depois de rever o seu dia, tire um momento para pensar em como você pode melhorar amanhã. Não há necessidade de ser ingênuo, você não vai sair de um time da 3a. divisão para a seleção de futebol de um dia para o outro. Estamos sempre avançando e retrocedendo. Tente encontrar uma maneira simples de crescer naquilo em que você acredita que Cristo está te chamando para crescer.

Mantenha essa ideia ou reflexão em sua mente e tente relembrá-la na hora em que acordar no dia seguinte. Talvez você possa até fazer uma notinha (pode ser uma frase, ou talvez uma passagem das escrituras que lhe tocou, ou mesmo apenas uma palavra). Muito do nosso dia depende dos primeiros momentos. Formar o hábito de exercitar brevemente o que estabelecemos para nós em nosso exame de consciência pode ser muito saudável em nossa vida como cristãos.

7. Ação de Graças

Por fim, lembre-se que o exame de consciência não é um exercício escrupuloso de colocar uma lupa em toda a sua vida e sentir-se mal com isso. Deve ser uma experiência consoladora de redenção. Tire um tempo para se alegrar e dar graças a Deus.

Como Pe. Rupnik diz:

"Nela [nessa experiência] aprendemos um realismo sadio que nos livra de nossas ilusões de perfeição moral, disciplinar ou psicológica, porque experimentamos a graça da transformação em curso devido à morte e ressurreição de Cristo. Um exame de consciência conduz assim àquilo que era tão caro ao coração de Dostoiévski[1]: sentir-se livre em relação a Deus, vivendo em liberdade como seus filhos ... Somente crianças livres podem apresentar e testemunhar a verdadeira imagem do pai.

Original em inglês: CatholicLink


Nota:

[1] Sobre o Fiódor Dostoiévski, socialista ateu que se converteu ao cristianismo (Igreja Ortodoxa Russa) sugerimos ler aqui sobre sua conversão.