São Miguel, São Gabriel & São Rafael

29/09/2021

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina (n. 328 e 331):

"A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de Anjos, é uma verdade da Fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro, quanto a unanimidade da Tradição".

Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: "Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos..." (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: "em vista d'Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele" (Cl 1, 16), E são d'Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: "Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?" (Heb 1, 14).

E Santo Agostinho nos diz a respeito dos Anjos (n. 329):

"Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)". Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo fato de contemplarem "continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus" (Mt 18, 10), eles são "os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra" (Sl 103, 20).

As Sagradas Escrituras revelaram os nomes próprios de apenas três Anjos, todos pertencentes ao Coro dos Arcanjos. Os nomes são bem conhecidos de todos, a saber: Michael, Gabriel, Raphael. A literatura apócrifa antiga do Antigo Testamento contém vários outros nomes de Arcanjos além dos três que acabamos de mencionar. Como as próprias fontes, esses outros nomes são espúrios. Nomes como Uriel, Raguel, Sariel e Jeremiel não são encontrados nos livros canônicos da Sagrada Escritura, mas no livro apócrifo de Enoque, quarto livro de Esdras e na literatura rabínica. A Igreja não permite nomes próprios de anjos que não sejam encontrados nos livros canônicos da Bíblia. Todos esses nomes tirados de escritos apócrifos foram rejeitados pelo Papa Zacarias, em 745. Certamente deve ter havido perigo de abusos graves a esse respeito durante aquele século, porque uma medida semelhante foi tomada em um sínodo realizado em Aix-la-Chapelle em 789.

O ARCANJO MIGUEL

Miguel do hebraico Mikha'el, que significa: Quem é como Deus? Seu nome é um grito de guerra; como escudo e arma, na luta, e um eterno troféu de vitória. A popularidade deste nome no Antigo Testamento surge do fato de que não menos do que dez pessoas com o nome de Miguel são mencionadas nos livros sagrados, como: "Setur, filho de Miguel" (Nm 13,13). Um nome semelhante é encontrado também na língua acádica, com um significado idêntico ao de Miguel; o equivalente de acádico é Mannuki-ili.

Como o nome próprio de um dos grandes Arcanjos, a palavra Miguel aparece pela primeira vez no livro do profeta Daniel, onde ele é chamado: "Miguel, um dos principais príncipes", e novamente: "Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo." (Dn 12, 1).

O nome "Arcanjo" é dado apenas a São Miguel, embora a tradição sagrada e a liturgia da Igreja atribuam o mesmo título a São Gabriel e São Rafael: "Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demônio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda". Apesar de um testemunho tão explícito da Escritura, alguns escritores sustentaram que São Miguel, por causa de sua posição exaltada entre os Anjos, deve pertencer a uma ordem muito mais elevada, talvez à dos Serafins, ao invés da ordem dos Arcanjos. Não acreditamos que essa opinião possa ser defendida. A exaltada posição ocupada por São Miguel pode ser explicada pelo fato de que, mesmo pertencendo a uma ordem relativamente abaixo por natureza, seu notável zelo pela glória de Deus e pela salvação de seus companheiros Anjos, na época da rebelião de Satanás, mereceu-lhe tanta glória e poder que o igualou e até mesmo se sobressaiu pela graça, tais espíritos celestiais que pertencem a um Coro muito superior por natureza. Lembremo-nos que os anjos viveram um período de provação durante o qual eles mereceriam, cada um ,de acordo com suas obras. A grande variedade de méritos explica, além de outros elementos naturais, a grande diferença em sua glória e em seu poder.

Padre Joseph Husslein aponta que a Igreja chama São Miguel "Príncipe das hostes celestes" - Princeps militiae caelestis - acrescentando ainda: "O fato de que os três Anjos que acabei de mencionar serem denominados como Arcanjos implica que tenham sido encarregados de missões extraordinárias. Miguel é o único a quem as Escrituras aplicam este título, mas há uma boa razão pela qual ele veio ser o mais elevado de todos os anjos". São Miguel é de fato um príncipe das hostes celestes, mas isso é suficientemente explicado pelo poder que Deus lhe concede e não necessariamente pela superioridade da natureza. Acreditamos que um poder desse tipo não seria conferido a Serafins e Querubins, que são o trono vivo de Deus, mas sim àqueles que pertencem à ordem de espíritos a serviço de Deus, a saber, Principados, Arcanjos e Anjos, que "lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação." (Hb 1, 14).

De acordo com Gustav F. Oehler, "este nome: Miguel-Quem é como Deus?", do príncipe dos Anjos, não implica meramente um humilde reconhecimento por parte do Anjo, mas sim uma afirmação real concernente ao próprio Anjo. O nome expressa assim a irresistibilidade daquele a quem Deus dá o poder de executar as ordens Dele.

São Miguel sempre foi o Anjo guerreiro, combatendo primeiro Satanás e seus demônios desde o início, depois, no decorrer do tempo, todos os inimigos do próprio povo de Deus. Ele é "o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo." (Dn 12,1). Hoje em dia, São Miguel é o grande defensor da Igreja de Cristo na Terra.

O agora famoso problema, "O Anjo do Senhor", Malakh Yahweh, que tem chamado a atenção de estudiosos das Escrituras há décadas, talvez possa ser resolvido admitindo que esse misterioso Anjo do Senhor (que em vários livros do Antigo Testamento é representado como agindo no nome do próprio Deus, e é freqüentemente recebido e honrado como Deus o faria), não é outro senão o Arcanjo São Miguel, o próprio legado de Deus para o Seu povo. As palavras do profeta Daniel parecem insinuar isso: "Ninguém me presta auxílio para estas coisas senão Miguel, vosso Príncipe" (Dn 10,22). "Nesse tempo levantar-se-á Miguel, o grande Príncipe, que se conserva junto dos filhos do teu povo" (Dn 12,1). Um legado pode falar e agir em nome e pela autoridade do governante supremo que o enviou e a quem ele representa. Esta parece ter sido a posição de São Miguel com os filhos de Israel; ele era tanto o príncipe celeste representando o Rei do Céu quanto o protetor celestial do próprio povo de Deus contra inimigos humanos e diabólicos.

São Miguel, que havia defendido e protegido os filhos de Deus no mundo espiritual, deveria estender a mesma proteção aos filhos humanos de Deus aqui na terra. Cercados e ameaçados como eram por nações pagãs hostis, sobre as quais Satanás estabelecera seu domínio tirânico, São Miguel não podia ficar indiferente a essa nova forma de sedução e rebelião introduzida por seu arqui-inimigo entre os filhos dos homens. Enquanto Satanás persistir em seus ataques, o celeste campeão, o Príncipe das hostes celestes, continuará a destruir seus planos com o grito de guerra do passado: "Quem é como Deus?" No Antigo Testamento, portanto, São Miguel é o Anjo por excelência, o Anjo do Senhor, o Anjo da Guarda nacional dos israelitas.

Às vezes, especialmente no livro do Êxodo, esse "Anjo do Senhor" é chamado simplesmente de Senhor; como por exemplo nesta passagem: "O Senhor ia adiante deles: de dia numa coluna de nuvens para guiá-los pelo caminho; e de noite numa coluna de fogo para alumiá-los; de sorte que podiam marchar de dia e de noite" (Ex 13, 21) Aquele que é chamado "o Senhor" nesta passagem, é mencionado novamente na mesma capacidade que o "Então o anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles. Também a coluna de nuvem se retirou de diante deles e se pôs atrás, ficando entre o acampamento dos egípcios e o acampamento de Israel. A nuvem era tenebrosa, e a noite passou sem que um pudesse se aproximar do outro durante toda a noite." (Ex 14, 19-20). Esta manobra militar muito inteligente mostra a estratégia do Príncipe das hostes celestes.

Como o Anjo da Guarda nacional dos Israelitas, e legado especial de Deus ao Seu povo, São Miguel é apresentado com palavras que revelam o grande amor divino e solicitude do Senhor, juntamente com os deveres do homem em relação aos Anjos da Guarda em geral: "Eis que envio um anjo diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti. Respeita a sua presença e observa a sua voz, e não lhe sejas rebelde, porque não perdoará a vossa transgressão, pois nele está o meu Nome. Mas se escutares fielmente a sua voz e fizeres o que te disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários" (Ex 23, 20-22).

A outra opinião que sustenta que a expressão "Anjo do Senhor" não é realmente um Anjo, ou São Miguel, mas o próprio Deus da Palavra de Deus (o Logos), é agora considerado como uma mera conjectura e uma opinião bastante obsoleta.

Várias aparições do Arcanjo Miguel foram relatadas durante os séculos cristãos. Uma das mais notáveis dessas aparições é aquela que é comemorada na Igreja universal em 8 de maio. O Arcanjo São Miguel apareceu no Monte Gargano, na Apúlia, sul da Itália, nos dias do Papa Gelásio (492-496). Um santuário foi erguido na caverna da aparição e tornou-se o objetivo de devotas peregrinações nos séculos subsequentes. Outra festa em honra de São Miguel Arcanjo, em 29 de setembro, anteriormente conhecida como Michaelmas, é o aniversário da Dedicação da antiga basílica de São Miguel e de Todos os Anjos no Caminho Salariano, em Roma. Uma aparição semelhante à do Monte Gargano foi homenageada no grande santuário chamado de 'Michaelion', perto de Constantinopla, segundo o historiador Sozomenus, que escreveu em meados do século V, um século de grande devoção aos Santos Anjos em geral e a São Miguel em particular.

Na liturgia da Missa, São Miguel é considerado como o Anjo que conduz as almas dos fiéis que partiram para o céu: "Livrai-os da boca do leão, que o inferno não os engula, para que não caiam nas trevas; mas, Miguel, o santo estandarte, trazei-os para a luz sagrada".

São Miguel é invocado de maneira particular nas orações recitadas ao pé do altar depois da missa: "São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, etc." Essa oração em particular é uma forma condensada do exorcismo geral contra Satanás e todos os espíritos malignos, publicado pelo Papa Leão XIII.

Enquanto os filhos de Deus forem expostos aos ataques de Satanás neste mundo, o grito de guerra de São Miguel: "Quem como Deus?" continuará a assustar e destruir todas as forças do mal e sua poderosa intervenção na luta em favor dos filhos de Deus nunca cessará.

O ARCANJO GABRIEL

O nome Gabriel parece ser composto das palavras hebraicas, gebher: homem e 'el: Deus. Significa, portanto, Homem de Deus, ou Força de Deus.

Praticamente todas as missões e manifestações deste Arcanjo estão intimamente ligadas à vinda do Messias. A profecia mais precisa sobre o tempo da vinda de Cristo foi feita por São Gabriel através do profeta Daniel.

Imediatamente antes da vinda de Cristo encontramos o Arcanjo Gabriel no templo de Jerusalém, anunciando a Zacarias o nascimento de um filho, João Batista, o precursor de Cristo: "Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, "e fui enviado para te falar e te trazer esta feliz nova" (Lc 1,19).

A maior e mais jubilosa mensagem jamais entregue por um anjo desde o início dos tempos foi a que o Arcanjo Gabriel levou à Virgem Maria, anunciando-lhe a Encarnação da Palavra de Deus e o nascimento de Cristo. Salvador da humanidade. A simplicidade e a grandeza celestes desta mensagem, relacionada a nós por aquela que foi a única testemunha das boas novas de Gabriel, devem ser lidas na íntegra para compreender a sublime e delicada missão de Gabriel na obra da redenção humana.

É a primeira vez que um príncipe da corte celeste saúda uma filha terrena de Deus, uma jovem mulher, com uma deferência e respeito que um príncipe mostraria à sua rainha. A vinda do Anjo para a terra marcou o alvorecer de um novo dia, o início de uma nova aliança, o cumprimento das promessas de Deus a Seu povo: "O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria" (Lc 1, 26-27).

A sabedoria celeste, o tato e a perspicácia são evidentes na conversa de Gabriel com a Virgem Maria: "Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo". Foi preciso que Gabriel superasse a reação de perturbação de Maria expressa em sua aparência e especialmente em relação à "semelhante saudação". Foi preciso que ele preparasse e dispusesse sua mente virginal e pura para a ideia da maternidade e obter seu consentimento para se tornar a mãe do Filho de Deus. Gabriel nobremente cumpre essa tarefa: "Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus". Ele a chama pelo seu próprio nome para inspirar confiança e demonstrar afeto e solicitude em sua perturbação. A grande mensagem é apresentada a ela como um decreto do Deus Altíssimo, uma coisa ordenada no decreto eterno da Encarnação, predito séculos antes pelos profetas, e anunciada agora a ela como um evento de ocorrência iminente, dependendo de seu consentimento: "Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim". A partir dessas palavras do Anjo, ficou muito evidente para Maria que seu filho seria o Messias prometido, o Filho de Davi. Mas ela não sabia como conciliar seu voto de virgindade com a prometida maternidade, daí a sua pergunta: "Como se fará isso, pois não conheço homem?". A resposta de Gabriel mostra que Deus queria respeitar o voto de virgindade de Maria e assim torná-la mãe sem pai humano, de uma maneira única e miraculosa: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá".

Como uma última palavra de encorajamento e, ao mesmo tempo, uma informação muito gratificante, o Arcanjo revela a Maria que sua prima idosa e estéril Isabel é agora uma mãe em seu sexto mês de gravidez. Este argumento final foi oferecido "porque a Deus nenhuma coisa é impossível".

Maria, inabalável em sua profunda humildade, respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". Esta resposta foi o consentimento de Maria, um consentimento esperado pelo céu e pela terra. O Arcanjo Gabriel afastou-se de Maria para levar a todos os Anjos as gloriosas novas da Encarnação da Palavra.

Parece muito provável que Gabriel, o Arcanjo da Anunciação, tenha recebido o especial encargo de zelar pela Sagrada Família de Nazaré. Ele foi provavelmente o Anjo que anunciou "uma grande alegria" aos pastores "que estavam nos campos e que durante as vigílias da noite montavam guarda a seu rebanho", na noite em que Cristo nasceu da Virgem Maria em Belém. Percebemos, nesta ocasião, o mesmo procedimento de primeiro aliviar o medo e a surpresa, como foi o caso da Anunciação de Maria por Gabriel: "Não temais! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria, ... Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na cidade de Davi". Quem mais poderia ser o mensageiro dessas boas novas, senão aquele que as prometeu, por meio do profeta Daniel, e as anunciou a Maria, senão o Arcanjo Gabriel?

Tendo anunciado a jubilosa mensagem e repentinamente une-se aos Arcanjo uma vasta multidão das hostes celestiais, cantando pela primeira vez neste vale de lágrimas o cântico do Sião celestial. Convinha que o Arcanjo da Redenção entoasse o cântico da redenção humana: "E de repente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste a louvar a Deus dizendo: 'Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele ama!'"

Os deveres de Gabriel para com o Messias não terminaram com o Seu nascimento. Gabriel foi provavelmente o anjo que "manifestou-se em sonho a José", primeiro em Belém quando o advertiu dizendo: "Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito. Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar". Após a morte de Herodes, o Anjo apareceu a José novamente no Egito para dizer-lhe que trouxesse a criança e sua mãe de volta à terra de Israel.

Gabriel que é "a força de Deus" deve ter sido o Anjo mencionado por São Lucas, em sua narrativa da agonia de Cristo no jardim: "Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava". Era apropriado que o Anjo que havia testemunhado a agonia do Salvador e que anunciara Sua vinda tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos, também fosse o primeiro a anunciar ao mundo a ressurreição do Salvador, Seu triunfo sobre o pecado e a morte na manhã de Páscoa: "E eis que houve um grande terremoto: pois o Anjo do Senhor, descendo do céu e aproximando-se, removeu a pedra e sentou- se sobre ela. O seu aspecto era como o do relâmpago e a sua roupa, alva como a neve".

É muito provável que São Paulo se refira ao Arcanjo Gabriel quando fala da segunda vinda de Cristo no fim do mundo, quando da luta de São Miguel com Satanás terminará, e quando todos os remédios físicos e espirituais de São Rafael não forem mais necessários. Parece que dos três Arcanjos conhecidos por nós, São Gabriel é aquele que com uma voz poderosa chamará os mortos à vida e ao julgamento: "À voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro". A voz do Arcanjo e a trombeta de Deus parecem ser a mesma coisa, tendo o propósito de transmitir o mandamento divino aos mortos para ressuscitar pelo poder do Deus Todo-Poderoso. A ressurreição dos "que morreram em Cristo" é a colheita, a coleta dos frutos da Redenção. Gabriel, que ajudou durante a longa jornada da vida do homem na terra, preparando-o para a obra da Redenção pelo Messias, parece ser o primeiro entre os Anjos que são enviados para reunir os eleitos dos quatro cantos da terra.

O ARCANJO RAFAEL

Raphael, do hebraico raphá, curar, e 'el, Deus, significa "Deus cura", ou o "curador Divino".

A história de Tobias, pai e filho, contém a maior angelofania de toda a Bíblia, e tudo gira em torno da manifestação do Arcanjo Rafael sob o nome e a forma assumidos de um jovem bonito chamado Azarias. No final de sua longa missão, o Arcanjo revelou sua própria identidade e seu nome verdadeiro, juntamente com o propósito real de sua missão: "Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor" (Tb 12, 14-15). Nesta angelofania, São Rafael revela-se como um curador divino não só de enfermidades físicas, da cegueira do velho Tobias, mas também de aflições espirituais e aborrecimentos diabólicos, como no caso de Sara, a jovem esposa de Tobias. Se o Arcanjo não recorresse a uma forma e personalidade humanas, talvez não fosse possível a ele se relacionar de maneira tão familiar com os homens, por várias semanas consecutivas, devido ao medo instintivo que o homem experimenta na presença de seres celestes. Se pai ou filho, ou ambos, conhecesse a verdadeira identidade do estranho, desde o início, a missão angélica não poderia ter sido realizada da forma humana encantadora em que ela foi realmente realizada. No entanto, a forma assumida, e especialmente o nome e paternidade assumidos - "Azarias, o filho dos grandes Ananias" - tem sido considerado por alguns como uma espécie de engano e mentira. No entanto, a perfeita santidade dos anjos se opõe até mesmo à aparência de pecado e engano, mesmo ao que chamamos de mentira branca. Para cumprir sua missão, era necessário que o Anjo assumisse uma forma perceptível ao homem, uma forma humana e um nome humano. Neste caso, ele assumiu a aparência de um israelita, um jovem parente do próprio Tobias. Por ordem divina, o Arcanjo deveria agir como procurador daquele jovem israelita, Azarias, cujo nome ele adotou; daí não haveria mentira de sua parte quando ele desse o nome da pessoa que ele estava representando em sua forma humana. Sua verdadeira identidade foi revelada no final de sua missão, e qualquer equívoco que tivesse sido criado nas mentes das várias pessoas que ele conheceu, foi completamente removido, e estes eram então gratos ao Arcanjo não apenas por seus muitos benefícios, mas também por sua consideração em lidar com eles como um ser humano. Além disso, o Arcanjo não estava escondendo um nome e personalidade humanos e dando outro em vez disso; Ao tomar o lugar de Azarias, ele poderia, em verdade, se chamar Azarias.

A história do Arcanjo Rafael e dos dois Tobias é muito bonita e instrutiva para que possamos descartá-la com uma simples referência: revela como os anjos agem quando estão na forma humana; sua natureza angélica, seu poder, sabedoria e santidade se manifestam nos vários incidentes desta fascinante narrativa. O Arcanjo é o legado de Deus, ele realiza o plano de Deus agindo como um instrumento da Divina Providência e da Bondade Divina.

O velho, caridoso e piedoso Tobias é cego e sente que seus dias estão contados. Ele dá ao seu jovem filho Tobias algumas admoestações religiosas e conta-lhe sobre o dinheiro que emprestou a Gabael da cidade de Ragés na Média, muitos anos atrás, para o qual ele tinha uma nota regular com a assinatura de Gabael. Ele quer que seu filho vá buscar o dinheiro, mas primeiro ele quer que ele encontre um homem para acompanhá-lo na longa jornada: "Vai procurar um homem de confiança que te possa acompanhar, mediante uma retribuição. É preciso que recebas esse dinheiro enquanto ainda estou vivo" (Tb 5, 4).

Enquanto isso acontecia na casa de Tobias, os Céus estavam ouvindo e preparando o companheiro, o "homem fiel" que Tobias estava procurando. O Senhor deu ao arcanjo Rafael a ordem de aparecer como um jovem chamado Azarias, para acompanhar o jovem Tobias à terra dos medos e para trazer paz e felicidade a duas famílias tementes a Deus, mas muito infelizes. Quando o jovem saiu de sua casa em busca de um companheiro, certa manhã, o Arcanjo Rafael estava lá como se estivesse esperando por ele, disfarçado de "jovem de belo aspecto". "E não sabendo que era um anjo de Deus, saudou-o e disse: De onde és tu, bom jovem? Mas ele respondeu: Sou um dos filhos de Israel" (Tb 5, 5-7). Em muito pouco tempo, o Arcanjo informou ao jovem Tobias que conhecia o caminho para Gabael e que conhecera o próprio Gabael, tendo passado algum tempo ali; ele conhecia muito bem todo o país. Tobias mal podia acreditar em uma coincidência tão feliz. Imediatamente ele levou seu novo amigo e companheiro e voltou para seu pai cego. O Anjo que conhecia bem o propósito de sua missão, implicitamente anunciou em suas palavras de saudação dirigidas ao velho cego, quando disse: "A felicidade esteja contigo para sempre!" (Tb 5, 13).

Não sabendo quem era aquele que lhe desejava felicidades, o velho Tobias respondeu: "Que felicidade posso eu ter ainda? Estou nas trevas, sem poder ver a luz do céu" (Tb 5, 12). Aqui o Arcanjo Rafael tornou-se mais explícito, fazendo uma promessa e uma profecia: "Tem ânimo, porque é fácil a Deus curar-te!" [Deus cura, o próprio nome de Rafael]. Ele não podia dizer mais sem gerar suspeitas e trair sua própria identidade. O velho Tobias considerava essas palavras gentis como uma expressão de boa vontade e não prestava nenhuma atenção especial a elas; ele ouvira essas expressões tantas vezes no passado. Seu interesse agora está na viagem de seu filho, e ele quer saber em cujas mãos ele está confiando a vida de seu único filho e parte de sua própria fortuna. Ao ouvir que o jovem guia não é menos que Azarias, o filho do grande Ananias, ele observa: "És de família distinta" (Tb 5, 19). O velho Tobias, como seu parente Gabael, mais tarde nesta história, expressa sua crença na proteção e orientação dos Anjos da guarda. Não sabendo que um Arcanjo está realmente acompanhando seu filho, ele diz: "Que Deus esteja em vosso caminho e que o seu anjo vos acompanhe" (Tb 5, 21). Se esta circunstância fosse conhecida por ele, tanto ele como sua esposa teriam sido poupados de todas as preocupações e noites sem dormir durante a longa ausência de seu filho. Um pensamento, no entanto, sustentou a mente do velho Tobias durante sua espera: 'Nosso filho está seguro: aquele homem com quem o enviamos é muito confiável'.

Quão despreocupada e quão alegre deve ter sido aquela jornada para o jovem Tobias. Viajar na companhia feliz de um anjo! Ele conhecia a estrada tão bem. Ele nunca esteve em dúvida sobre alguém ou qualquer coisa que eles encontraram na estrada; sempre alegre, nunca cansado ou sonolento; tão doce e gentil em sua conversa, mas sempre cheio de respeito e atenção. Ele era profundamente espiritual e profundamente devoto em suas orações, puro em todas as suas palavras e ações. Quão verdadeiras e inspiradas foram as palavras do velho Tobias quando, consolando sua chorosa esposa, ele disse a ela: "Um bom anjo o acompanhará, lhe dará uma viagem tranqüila e o devolverá são e salvo!" (Tb 5, 22).

O texto sagrado observa que quando o jovem Tobias começou sua jornada com seu companheiro angélico, seu cão de estimação o seguiu até o leste. Tobias foi um dos milhares de israelitas que viviam no cativeiro babilônico. Alguns deles se estabeleceram em províncias vizinhas, como Mesopotâmia, Assíria e Média. Foi exatamente nesta última província da Média que o parente de Tobias, Raguel, viveu com sua família. Este não era realmente o objetivo de sua viagem ao Oriente, mas foi aqui que Deus e Seu Anjo quiseram que ele fosse; enquanto seu pai o enviara para buscar seu dinheiro em Gabael, na cidade de Ragés, nas montanhas de Ecbatana, na Média. O Anjo, desviando sua viagem cumpriu mais plenamente sua missão, trazendo alegria e felicidade inesperadas para três famílias.

Tendo saído de sua cidade natal, a grande cidade de Nínive, naquela manhã, Tobias e seu guia chegaram ao rio Tigre pouco antes do anoitecer. Eles decidiram passar aquela noite na margem do rio Tigre. Aqui o Arcanjo Rafael começou a revelar conhecimento e experiência médicas. Ao mesmo tempo, ele forneceu comida para aquela noite e para o resto da jornada. Cansado de andar o dia todo, o jovem Tobias foi lavar os pés na água fria do rio antes de se retirar. Aqui a visão de um peixe monstruoso que parecia estar chegando para devorá-lo, assustou-o excessivamente e o fez gritar por socorro: "Senhor, ele lança-se sobre mim!" (Tb 6, 3). O guia angélico, sem vir em seu socorro, instruiu-o sobre o que fazer, dando-lhe direções e inspirando-o com confiança. No final do primeiro dia, o jovem Tobias ainda não havia adquirido familiaridade com seu guia, então ele o chama, senhor. Mais tarde ele vai chamá-lo de irmão. Quando o peixe monstruoso foi extraído com sucesso do rio, foi cortado, torrado e salgado. "Abre o peixe", ordenou o anjo, "e tira-lhe o coração, o fel e o fígado. Guarda-os contigo e joga fora as entranhas. O coração, o fel e o fígado do peixe servirão para remédios muito eficazes" (Tb 6, 5). Esses, sem dúvida, podem ter parecido remédios estranhos para o jovem Tobias e ele queria saber quando e como usá-los. Aqui ele começa a mostrar mais confiança e afeição pelo guia celestial: "Azarias, meu irmão, peço-te que me digas qual é a virtude curativa dessas partes do peixe que me mandaste guardar?" (Tb 6, 7). O anjo explica a virtude médica dessas partes do peixe. Detalhes mais práticos são transmitidos conforme o tempo adequado para o seu uso se aproxima. O fígado do peixe era necessário como um ingrediente material para um exorcismo, a fim de libertar a futura esposa de Tobias, Sara, da má influência do diabo; o fel era para ser usado para a cura da cegueira do velho Tobias.

O Arcanjo Rafael tinha sido enviado por Deus para curar e consolar duas almas afligidas, o velho Tobias e a filha de Raguel, Sara, a viúva de sete maridos, todos os quais morreram na primeira noite após o casamento com ela.

Enquanto a noite caía, no final de outro dia de sua longa jornada, o jovem Tobias se voltando para seu guia perguntou-lhe a costumeira pergunta: "Onde queres que pousemos?" (Tb 6,10). Aqui começa a primeira parte da missão de Rafael. Ele deve induzir o jovem Tobias a se casar com Sara, a filha de Raguel, e ao mesmo tempo livrá-la de toda a influência e vexação diabólica. Esta era uma questão muito delicada, pois rumores sinistros sobre essa jovem dama, como sendo a causa da morte de sete maridos, haviam chegado a Nínive e o jovem Tobias sabia tudo sobre ela e estava mortalmente com medo de se associar com ela. Na questão de onde se alojar para a noite, Rafael propusera que se hospedassem em Raguel e que Tobias pedisse Sara, sua prima, em casamento. "Ouvi dizer", respondeu Tobias, "que ela já teve sete maridos e que todos morreram. Diz-se mesmo que foi um demônio que os matou" (Tb 6, 14). Imagine se este jovem, agora, vai pedir a mão de tal dama! O Arcanjo Rafael obteve exatamente isso e, mais do que isso, seu casamento foi muito feliz, abençoado com boa saúde e vida longa, de modo que ambos viram os filhos de seus filhos até a quinta geração. As instruções sobre a união conjugal dada pelo Arcanjo Rafael ao jovem Tobias nesta ocasião permanecem um ideal de perfeição moral para os casais de todos os tempos. Oração, continência e pura intenção dispõe a alma às bênçãos de Deus e frustram toda a influência do espírito maligno. O jovem Tobias ouviu atentamente o seu guia celestial e mais tarde executou as suas instruções com mais fidelidade, primeiro repetindo-as à sua noiva: "Somos filhos dos santos patriarcas e não nos devemos casar como os pagãos que não conhecem a Deus" (Tb 8, 5).

Em meio à reunião familiar agradável e íntima na casa de Raguel, descrita no capítulo sete do livro de Tobias, uma luta invisível acontece no mundo espiritual. O jovem Azarias (o Arcanjo Rafael) ausenta-se por um curto período de tempo da reunião da família e amigos, a fim de cuidar de um negócio muito importante. Durante esses poucos minutos, Rafael, em nome e com o poder de Deus, "tomou o demônio e prendeu-o no deserto do Alto Egito" (Tb 8, 3). Este demônio Asmodeus, que causou tanta tristeza a Sara e sua família, foi o próprio Satanás. Com o exílio do espírito do mal, a alegria, a paz e todas as bênçãos chegaram à casa de Raguel. Tendo finalizado a sua missão, o jovem Azarias retornou e tomou seu lugar na festa de casamento, enquanto na verdade contemplava o rosto do Pai que está no céu. Na manhã seguinte, deixando Tobias lá com sua feliz noiva, ele continua na jornada, acompanhado por quatro servos e dois camelos. Ele finalmente encontrou Gabael e recolheu o dinheiro para o velho Tobias e, em seu retorno, levou Gabael para a festa de casamento de seu parente, o jovem Tobias.

A última parte da missão confiada a Raphael, o Arcanjo, vinha agora a seguir. Tendo trazido alegria e felicidade para Sara e toda a sua família, era hora de trazer uma alegria semelhante e ainda maior para o velho Tobias e sua esposa. O ritmo lento da caravana que acompanhava a noiva até Nínive não convinha, pois o Arcanjo conhecia bem a dor e as preocupações dos idosos pais de Tobias: "Tobias, meu irmão", disse o Arcanjo, "tu sabes em que estado deixaste o teu pai. Se for do teu agrado, poderíamos tomar a dianteira, deixando a tua mulher, os servos e os rebanhos seguirem devagar pelo caminho" (Tb 11, 2-3). Tobias concordou e levando consigo o fel dos peixes, ele e o Anjo começaram a avançar com mais rapidez. Chegou o momento de dar a instrução final sobre o uso da ousadia: "Assim que entrares na casa, com amor ao Senhor teu Deus e dando graças a ele, para teu pai e beijá-lo, e imediatamente ungir seus olhos com este fel do peixe ... seus olhos se abrirão instantaneamente e que teu pai verá a luz do céu. E, vendo-te, ficará cheio de alegria" (Tb 11, 7-8).

Nesse meio tempo, a velha mãe de Tobias estava esperando por seu filho, sentando-se diariamente no topo de uma colina, examinando o horizonte em busca de um sinal de seu filho e seu guia. Finalmente, um dia, o cão de estimação de Tobias, correndo à frente, trouxe as notícias alegres para os pais aflitos por sua bajulação e abanando o rabo. Todos esses elementos humanos e terrestres se misturam maravilhosamente com o celestial nesta charmosa história de anjos e homens.

Tudo aconteceu como prometido pelo anjo. O velho Tobias recuperou a vista. Nesse ponto, o coração do jovem Tobias estava cheio de gratidão, amor e admiração por seu maravilhoso guia por tantos e tão grandes foram os benefícios recebidos por ele. Tendo testemunhado a cura milagrosa de seu pai, ele não encontrou palavras para expressar seus sentimentos: "Ele cumulou-nos de toda a sorte de benefícios" (Tb 12, 3), ele continuou dizendo a seu pai. O velho Tobias entendia que era Deus quem estava realmente trabalhando todas essas maravilhas através do jovem Azarias, e assim, cheio de reverência, ele chama o jovem guia de santo homem: "Que havemos nós de dar a esse santo homem que te acompanhou?" (Tb 12, 1).

O Senhor nunca permite que o homem permaneça em erro por causa do disfarce assumido por Seus espíritos mensageiros em qualquer de suas aparições. Mais cedo ou mais tarde, a verdade sobre eles será manifestada. Por várias semanas consecutivas, o Arcanjo Rafael esteve agindo sob a forma e o nome humanos. Agora que sua missão foi felizmente concluída, ele começa a preparar seus dois amigos, pai e filho, para uma grande surpresa, a revelação de seu verdadeiro eu. No momento em que ambos humildemente se aproximam dele oferecendo metade de tudo o que foi trazido para casa como pagamento por seu serviço, o jovem "Azarias" responde com uma maravilhosa explicação do porquê Deus os abençoou. Ele traz à lembrança do velho Tobias todo o bem que ele fez em seus dias, sua caridade, sua misericórdia, sua paciência, sua esmola e suas orações lacrimosas. Assim, ele começa a se revelar gradualmente para não assustá-los com uma revelação repentina. A enumeração de todas as boas obras e dos segredos da consciência, conhecidos apenas por Deus, é o primeiro passo nesta revelação; a segunda é a declaração: "Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demônio Sara, mulher de teu filho" (Tb 12, 14). O terceiro e último passo estava sujeito a perturbá-los e amedrontá-los, por isso ele começa com palavras reconfortantes e tranquilizadoras: "A paz seja convosco: não temais" (Tb 12, 17). Quando ele disse isso, pai e filho caíram de joelho com seus rostos no chão, pois de repente a forma humana de Azarias foi transfigurada na de um Arcanjo de luz e beleza, e a revelação final veio: "Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos na presença do Senhor... Quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus: rendei-lhe graças, pois, com cânticos de louvor" (Tb 12, 15;18). Esta é a única recompensa que ele aceitará, mas nenhuma das coisas materiais que generosamente lhe foram oferecidos por seus bons amigos como dinheiro, gado e roupas. No entanto, estes ainda poderiam alimentar algumas dúvidas, porque o viram comer e beber como qualquer outro ser humano, e os anjos não comem nem bebem como os homens. Para essa dúvida secreta, ele responde dizendo: "Parecia-vos que eu comia e bebia convosco, mas o meu alimento é um manjar invisível e minha bebida não pode ser vista pelos homens" (Tb 12, 19). Agora que seu trabalho foi feito, e que eles sabem que Deus enviou o Seu Anjo para enchê-los de bênçãos, é hora de ele voltar ao Céu: "É chegado o tempo de voltar para aquele que me enviou: vós, porém, bendizei a Deus e publicai todas as suas maravilhas" (Tb 12. 20). Aqui o Arcanjo retornou à sua forma invisível, retirou-se da companhia dos homens e retornou à dos Anjos.

Rafael, o curador Divino, parece que esteve trabalhando em Jerusalém, nos dias de Cristo Nosso Senhor, na piscina chamada Betesda, junto à Porta das Ovelhas. Nos cinco pórticos que rodeavam aquela piscina havia uma multidão de pessoas doentes, esperando pela ação do Anjo na água da piscina, uma ação que curava imediatamente qualquer pessoa que descia primeiro para a piscina: "Porque o Anjo do Senhor descia, de vez em quando, à piscina e agitava a água; o primeiro, então, que aí entrasse, depois que a água fora agitada, ficava curado, qualquer que fosse a doença" (Jo 5, 4)

O ministério de saúde de São Rafael ainda pode ser visto nas curas milagrosas que ocorrem até os nossos tempos em muitos dos santuários sagrados em todo o mundo cristão.

Original em Inglês: EWTN