Porque banimos o sofrimento do Facebook?

Escrito por Garrett Johnson

O vídeo de hoje ilustra uma realidade muito comum. Para a pergunta: "No que você está pensando?", bem poucos realmente respondem com a verdade. Os perdedores são impopulares. O sofrimento não atrai "curti". Então, por que não apenas mentir? Qual o sentido em compartilhar essas coisas se ninguém quiser ouvi-las?

Todo verão saio em viagem de missão com um grupo de jovens italianos para várias regiões do Peru. Além de trabalhar em um campo de futebol, uma área para diversões e casas em favelas, passamos muito tempo com crianças e idosos doentes e abandonados. A experiência de aproximar pela primeira vez do sofrimento dos outros estava muito presente entre os meus jovens companheiros. A experiência é ainda mais intensa porque quase todos, como nosso amigo no vídeo, estão acostumados a ignorar e evitar suas próprias experiências de sofrimento, especialmente em situações sociais.

Ao falar com eles e pensar um pouco sobre as minhas horas vagas, continuei perguntando: o que há para dizer ante a realidade do sofrimento? Como responder? O que pensar? O que sentir? O que fazer?

Como este vídeo mostra muito bem, tendemos a ignorar e evitar quaisquer sinais que possam chamar nossa atenção para o sofrimento em nossas vidas ou na dos outros. Isso nos faz sentir desconfortáveis. Às vezes, podemos oferecer soluções, mas outras vezes não há muito o que podemos fazer. Então, preferimos ignorá-los completamente. Nós clicamos no "ocultar tudo" não só no Facebook, mas também em nossas vidas diárias.

Ao entrar em um quarto de crianças doentes ou idosos morrendo não é fácil para ninguém, mas é uma realidade fundamental de nossas vidas. Mais do que a fragilidade, nossa própria fragilidade é o que mais nos assusta. É por isso que não queremos ouvir isso dos outros. "Em breve, nós também precisaremos que alguns jovens venham e nos ajudem a comer nossa refeição", disse a um deles enquanto estávamos ajudando alguns senhores idosos com a difícil tarefa de pegar a colher para fazer o trajeto do prato à boca. "Espero que eu nunca termine assim", respondeu um expressando um estremecimento. Nós temos alguma escolha?

Então, o que dizer? Alguns podem querer apontar para a redenção do sofrimento realizado por Cristo na Cruz. Isso é evidentemente verdadeiro, mas às vezes explicar isso a um jovem que nem sequer sabe se Deus existe pode ser um pouco demais.

A Rebelião do Coração

Um lugar para começar é no próprio coração e experiência deles. Uma razão pela qual tendemos a esconder o sofrimento é porque realmente não há muito a dizer. Durante a viagem eu me tornei amigo de uma garota de nove anos chamada Carla. Ela e seu irmão mais novo tinham sido abandonados por seu pai há algum tempo. Estar com ela me fez fazer algumas perguntas difíceis: que sentido faz isso tudo? Uma jovem que nasceu com um coração que clama pelo amor, sobretudo do seu pai; e ainda assim ela nunca terá essa experiência. Tragicamente, ao invés disso, seu desejo de amor se transformou em uma profunda ferida de tristeza. Como posso entender essa contradição absurda? E ainda, ela olha para mim. Com seu olhar, eu a sinto me perguntando: por que?

Se alguém é incapaz de encontrar um significado mais profundo para o sofrimento que seja coerente, a única resposta possível é a do silêncio. Dizer a ela, "Tudo vai ficar bem", ou "Vai melhorar", meros clichês vazios, apenas seria enganador e possivelmente falso. Não tenho o direito de dizer tais coisas, e menos ainda, para uma criança. Mas permanecer em silêncio só é possível quando estou no conforto da minha casa e rotina. Quando me vejo na frente dela, o objeto de seu olhar interrogativo, algo em mim me impele a falar. Algo no fundo do meu interior grita: fale com ela! Dê esperança a ela! O silêncio não deve ter a última palavra! O sofrimento dela é absurdo, mas não seu desejo de ser amada e amar!

Ao falar com os outros, percebi que não era o único a ter experiência semelhante. Parece que o coração humano se revolta contra esse silêncio. As exigências do amor o rejeitam.

Ao começar com essa experiência, podemos tentar seguir um caminho existencial de perguntas. Começamos a perguntar por que nosso coração responde assim? O que está dentro de nós que se revolta? Devemos nos perguntar se talvez o sofrimento seja, além de uma ausência de amor, também um convite para responder com amor. No entanto, devemos aprofundar, devemos nos dirigir para a base das coisas. A natureza contraditória dos sofrimentos nos empurra a buscar uma resposta que vá além de nós mesmos. Devemos olhar para Deus, devemos tentar entender por que ele permite tais realidades. Ao contemplar a Cruz, encontramos uma resposta inesperada. Nós vemos, como diz Paul Claudel: "Deus não veio para eliminar o sofrimento, Ele não veio para explicá-lo, mas veio preenchê-lo com Sua presença." Nós percebemos que - embora devamos nos sujeitar por ora - aquele silêncio não deve ter a última palavra. No final, o amor prevalece e a felicidade reina.

Novamente, isso não elimina o sofrimento que experimentamos e continuaremos a experimentar, mas é aí que descobrimos uma esperança diferente de qualquer outra. Não é uma esperança imaginária, sim uma esperança que nosso próprio coração exige e parece anunciar, embora obscuramente, e uma esperança que Cristo vem confirmar.