No Que A Igreja Primitiva Acreditava: A Virgindade Perpétua De Maria

29/08/2025

A maioria dos protestantes afirma que Maria teve outros filhos além de Jesus. Para sustentar essa afirmação, esses protestantes se referem às passagens bíblicas que mencionam os "irmãos do Senhor". Conforme explicado no Tratado da Catholic Answers intitulado Jesus tinha irmãos?, nem os relatos dos Evangelhos nem os primeiros cristãos atestam a ideia de que Maria teve outros filhos além de Jesus. Os fiéis sabiam, por meio do testemunho das Escrituras e da Tradição, que Jesus era o único filho de Maria e que ela permaneceu virgem por toda a vida.

Um importante documento histórico que apoia o ensinamento da virgindade perpétua de Maria é o Protoevangelho de Tiago, que foi escrito provavelmente menos de sessenta anos após o fim da vida terrena de Maria (por volta de 120 d.C.), quando as memórias de sua vida ainda estavam vivas na mente de muitos.

De acordo com o renomado estudioso de patrística Johannes Quasten: "O objetivo principal de todo o escrito [Protoevangelho de Tiago] é provar a virgindade perpétua e inviolável de Maria antes, durante e depois do nascimento de Cristo" (Patrologia, 1,120–1).

Para começar, o Protoevangelho registra que, quando o nascimento de Maria foi profetizado, sua mãe, Santa Ana, prometeu que dedicaria a criança ao serviço do Senhor, assim como Samuel havia sido por sua mãe (1 Sm 1,11). Maria serviria assim ao Senhor no Templo, como as mulheres faziam há séculos (1 Sam. 2, 22), assim como a profetisa Ana servia na época do nascimento de Jesus (Lc 2,36–37). Uma vida de serviço contínuo e dedicado ao Senhor no Templo significava que Maria não poderia viver a vida normal de uma mãe que cria os filhos. Em vez disso, ela se comprometeu a uma vida de virgindade perpétua.

No entanto, devido a considerações de pureza cerimonial, acabou sendo necessário que Maria, uma "virgem do Senhor" consagrada, tivesse um guardião ou protetor que respeitasse seu voto de virgindade. Assim, de acordo com o Protoevangelho, José, um viúvo idoso que já tinha filhos, foi escolhido para ser seu esposo. (Isso também explicaria por que José aparentemente já estava morto na época do ministério adulto de Jesus, uma vez que ele não aparece durante esse período nos evangelhos e que Maria é confiada a João, em vez de ao seu marido José, na crucificação).

De acordo com o Protoevangelho, José era obrigado a respeitar ao máximo o voto de virgindade de Maria. A gravidade de sua responsabilidade como guardião de uma virgem era indicada pelo fato de que, quando ela foi descoberta grávida, ele tinha que responder às autoridades do Templo, que o considerariam culpado de profanar uma virgem do Senhor. Maria também seria acusada de ter abandonado o Senhor ao quebrar seu voto. Tendo isso em mente, é um insulto incrível à Santíssima Virgem dizer que ela quebrou seu voto ao ter filhos que não fossem de seu Senhor e Deus, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo.

A virgindade perpétua de Maria sempre foi harmonizada com as referências bíblicas aos irmãos de Cristo por meio de uma compreensão adequada do significado do termo "irmãos". A compreensão de que os irmãos do Senhor eram os meio-irmãos de Jesus (filhos de José) e não os irmãos (filhos de Maria) era a mais comum até a época de Jerônimo (século IV). Foi Jerônimo quem introduziu a possibilidade de que os irmãos de Cristo fossem, na verdade, seus primos, já que no idioma judeu os primos também eram chamados de "irmãos". A Igreja Católica permite que os fiéis tenham qualquer uma das duas opiniões, já que ambas são compatíveis com a realidade da virgindade perpétua de Maria.

Hoje, a maioria dos protestantes desconhece essas crenças antigas sobre a virgindade de Maria e a interpretação correta de "os irmãos do Senhor". No entanto, os próprios reformadores protestantes — Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zwinglio — honravam a virgindade perpétua de Maria e a reconheciam como ensinamento da Bíblia, assim como outros protestantes mais modernos.

O Protoevangelho de Tiago

"Eis que apareceu-lhe um anjo do Senhor e disse-lhe: 'Ana, Ana! O Senhor ouviu as tuas preces. Eis que conceberás e darás à luz. Da tua família se falará por todo o mundo'. Ana respondeu: 'Glória ao Senhor, meu Deus! Se for-me dado menino ou menina, fruto de Sua bênção, ofertá-lo-ei ao Senhor e a Seu serviço estará por todos os dias de sua vida'. … E [desde os três anos de idade] Maria passou a ficar no Templo como uma pequena pomba" (Protoevangelho de Tiago 4, 7 [A.D. 120]).

"Entretanto, quando completou doze anos, os sacerdotes se reuniram e disseram: 'Maria atingiu os doze anos no Templo. O que devemos fazer para que ela não macule o Santuário?' Então disseram ao sumo sacerdote: 'O altar está a tua disposição. Entra e ora por ela pois o que o Senhor te revelar, isso será o que deveremos fazer'. … e orou por ela. Mas eis que um anjo do Senhor lhe apareceu e disse: 'Zacarias, Zacarias! Sai e chama todos os viúvos do povoado; que cada um traga um bastão e a quem o Senhor mostrar um sinal, este será o seu esposo'. … Então o sacerdote disse: 'A ti caberá receber sob teu teto a Virgem do Senhor'. Mas José respondeu: 'Tenho filhos e já estou avançado na idade; ela, porém, ainda é uma menina'" (ibid., 8–9)..

"Entretanto, Anás, o escriba, veio até sua [a de José] … e percebeu a gravidez de Maria. Então correu até o sacerdote e disse-lhe: 'José cometeu falta grave e tu respondes por ele'. Perguntou o sumo sacerdote: 'O que estás dizendo?'. Respondeu Anás: 'Ele violou a virgem que recebeu do Templo de Deus e fraudou seu casamento'" (ibid., 15).

"O sacerdote tomou a palavra e disse: 'Por que fizeste isso, Maria? Por que manchaste tua alma, esquecendo do Senhor, teu Deus?'… Ela passou a chorar amargamente e disse: Juro pelo Senhor, meu Deus, que permaneço pura diante Dele! Não conheci varão algum!'" (ibid.).

Orígenes

"Mas alguns dizem, baseando-se em uma tradição … "O Livro [o Protoevangelho] de Tiago", que os irmãos de Jesus eram filhos de José de uma ex-esposa, com quem ele se casou antes de Maria. Ora, aqueles que o dizem desejam preservar até o fim a honra de Maria na virgindade, para que aquele corpo dela que foi designado para ministrar a Palavra que disse: 'Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo O alto te cobrirá com a sua sombra', pode não conhecer a relação com um homem depois que o Espírito Santo entrou nela e o poder do alto a cobriu. E penso que está em harmonia com a razão que Jesus foi o primeiro fruto entre os homens da pureza que consiste na castidade, e Maria entre as mulheres; pois não era piedoso atribuir a ninguém senão a ela o primeiro fruto da virgindade"(Comentário sobre Mateus 2:17 [248 d.C.]).

Santo Hilário de Poitiers

"Se eles [os irmãos do Senhor] fossem filhos de Maria e não do casamento anterior de José, ela nunca teria sido entregue no momento da paixão [crucificação] ao apóstolo João como sua mãe, dizendo o Senhor a cada um: 'Mulher, eis o teu filho', e a João: 'Eis a tua mãe' [João 19,26-27), pois ele legou o amor filial a um discípulo como consolo para aquele que estava desolado" (Comentário sobre Mateus 1,4 [354 d.C.]).

Santo Atanásio

"Portanto, que aqueles que negam que o Filho é do Pai por natureza e próprio à Sua Essência, neguem também que Ele tomou a verdadeira carne humana de Maria, sempre Virgem" (Discurso Contra os Arianos 2, 68 [360 d.C.]).

Epifânio de Salamina

"Acreditamos em um único Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis; e em um único Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus... que por nós, homens, e pela nossa salvação desceu e se encarnou, isto é, nasceu perfeitamente da santa e sempre virgem Maria pelo Espírito Santo" (O Ancorado 120 [374 d.C.]).

"E à santa Maria, [o título] 'Virgem' é invariavelmente acrescentado, pois essa santa mulher permanece imaculada" (Contra Heresias 78,6 [375 d.C.]).

São Jerônimo

"[Helvídio] usou Tertuliano como sua testemunha e citou as palavras de Vitorino, bispo de Perávio. De Tertuliano não direi senão que não pertenceu à Igreja. Mas com respeito a Vitorino, afirmo que já ficou provado pelo Evangelho - que ele falou dos irmãos de Nosso Senhor não como sendo filhos de Maria, mas irmãos no sentido que expliquei, ou seja, irmãos sob o ponto de vista de parentesco, não de natureza. Estamos … seguindo insignificantes pontos de opinião. Não deveríamos arrolar contra você toda a série de escritores antigos? Inácio, Policarpo, Irineu, Justino Mártir e muitos outros homens apostólicos e eloqüentes, que expuseram as mesmas explicações contra Ebião, Theodoto de Bizâncio e Valentino, escreveram volumes repletos de conhecimentos. Se você alguma vez lesse o que eles escreveram, você se tornaria um homem sábio" (Contra Helvídio: A Virgindade Perpétua de Maria 19 [383 d.C.]).

"Acreditamos que Deus nasceu de uma Virgem, porque lemos assim. Não acreditamos que Maria teve união marital depois que deu à luz porque não lemos isso. … Você [Helvídio] diz que Maria não continuou virgem. Eu brado ainda mais que José, ele mesmo, aceitou que Maria era virgem, de modo que de um casamento virgem nasceu um filho virgem. … aquele que foi julgado digno de ser chamado pai do Senhor, permaneceu casto" (ibid., 21)..

Dídimo, o Cego

"Isso nos ajuda a compreender os termos 'primogênito' e 'único filho' quando o evangelista diz que Maria permaneceu virgem 'até dar à luz seu filho primogênito' [Mateus 1,25]; pois Maria, que deve ser honrada e louvada acima de todas as outras, não se casou com ninguém mais, nem se tornou mãe de ninguém mais, mas mesmo após o parto permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada" (A Trindade 3,4 [386 d.C.]).

Ambrósio de Milão

"Imitai-a [Maria], ó mães santas, que em seu Filho unigênito e amado apresentou tão grande exemplo de virtude maternal; pois nem vós tendes filhos mais doces [que Jesus], nem a Virgem buscou o consolo de poder gerar outro filho" (Cartas 63,111 [388 d.C.]).

Papa Sirício I

"Tiveste justa razão em te horrorizar com o pensamento de que outro nascimento pudesse surgir do mesmo ventre virginal do qual Cristo nasceu segundo a carne. Pois o Senhor Jesus jamais teria escolhido nascer de uma virgem se julgasse que ela seria tão incontinente a ponto de contaminar com a semente de união humana o lugar do nascimento do corpo do Senhor, esse tribunal do rei eterno" (Carta ao Bispo Anísio [392 d.C.]).

Santo Agostinho

"Cristo, assim, nascendo de uma virgem que, antes mesmo de saber de quem seria mãe, já tinha resolvido permanecer virgem, esse Cristo preferiu aprovar a santa virgindade a impô-la. Dessa maneira, mesmo na mulher da qual haveria de receber a forma de servo, ele quis que a virgindade fosse o efeito da vontade livre" (A Santa Virgindade 4,4 [A.D. 401]).

"Quando se tornou visível, por amor a nós, o invisível Criador de sua mãe nasceu de seu ventre fecundo, sem nenhum atentado à sua pureza virginal, pois ela permaneceu Virgem ao conceber seu Filho, Virgem ao dar à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimen-tá-lo em seu seio, Virgem sempre. Por que se espantar com isto, ó mortal! " (Sermões 186,1 [A.D. 411]).

"Hereges chamados Antidicomarianitas são aqueles que contradizem a virgindade perpétua de Maria e afirmam que, após o nascimento de Cristo, ela se uniu ao seu esposo" (Heresias 56 [428 d.C.]).

Lepório

"Confessamos, portanto, que nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes dos séculos, e, em tempos recentíssimos, feito homem pelo Espírito Santo e pela sempre virgem Maria" (Documento de Emenda 3 [426 d.C.]).

São Cirilo de Alexandria

"O próprio Verbo, vindo por sua vontade à Bem-Aventurada Virgem, assumiu para si o seu próprio templo da substância da Virgem e saindo dela, fez-se completamente homem de modo que todos pudessem vê-lo externamente, mas sendo verdadeiramente Deus internamente. Portanto, Ele preservou sua Mãe virgem mesmo depois dela ter dado à luz" (S. Cirilo de Alexandria, "Contra aqueles que não desejam professar que a Santa Virgem é a Mãe de Deus 4", 430 dC)."

São Leão Magno

"Origem [de Cristo] dessemelhante, natureza comum: que uma virgem conceba, que uma virgem dê à luz e permaneça virgem é humanamente inabitual e insólito, mas depende do poder divino" (Sermões XXII,2 [450 d.C.]).


NIHIL OBSTAT: Concluí que os materiais apresentados neste trabalho estão isentos de erros doutrinários ou morais. Bernadeane Carr, STL, Censor Librorum, 10 de agosto de 2004

IMPRIMATUR: De acordo com o CIC 827 de 1983, concede-se permissão para publicar este trabalho. Robert H. Brom, Bispo de San Diego, 10 de agosto de 2004.


Original em inglês: Catholic Answers