Esta Será A Primeira Mártir Nascida Nos EUA?

Jamie Schmidt
Jamie Schmidt

24 de novembro de 2018 (LifeSiteNews) - Para a grande honra desta nação que está sob a proteção celestial da Imaculada, agora há um bom número de santos e beatos que nasceram ou trabalharam nos EUA. Contudo, apenas um único cidadão nativo dos EUA foi até agora elevado aos altares da Igreja usando a gloriosa coroa dos Mártires: o Beato Stanley Rother, um sacerdote missionário de La Salette, de Oklahoma, que foi assassinado em 1981 por um esquadrão da morte enquanto ajudava os pobres na Guatemala. (Os heroicos mártires norte-americanos, é claro, eram missionários nascidos na França e derramaram seu sangue pela fé mais de um século antes da criação dos Estados Unidos). No entanto, nenhuma mulher americana ou leiga - e nenhum cidadão americano que morreu no solo desta nação - até agora foi honrado pela Igreja como mártir.

Isso pode mudar em um futuro próximo como resultado indesejado de um crime horrível, friamente planejado e espontâneo, ocorrido na semana passada, a menos de meia hora de carro de minha igreja no centro de St. Louis, Missouri. A comunidade local - católica e não-católica - reagiu com aversão e, de fato, o chefe da polícia do condado de St. Louis, Jon Belmar, disse que estava "entre os crimes mais hediondos" que viu em seus 32 anos de aplicação da lei - uma atrocidade que "chocou os sentidos". No entanto, os caminhos da Divina Providência são estranhos: como já vimos tantas vezes ao longo da história, Deus pode tirar um grande bem de um mal, mesmo em um momento avassalador. No entanto, enquanto escrevo, a maioria dos católicos da área de St. Louis talvez esteja ainda muito entorpecida com o choque para ter notado os raios de luz espiritual que emergem desse buraco negro.

Afinal o que aconteceu? No meio da tarde da segunda-feira passada, 19 de novembro de 2018, tudo parecia calmo na filial do principal fornecedor de artigos religiosos da Manchester Road de St. Louis, a Catholic Supply. Um homem corpulento de meia-idade entrou e notou que apenas três pessoas estavam na loja - todas mulheres. Duas eram funcionárias da loja: uma na faixa dos cinquenta, a outra na casa dos vinte anos e a terceira era uma cliente que acabara de entrar. Depois de trocar algumas palavras, o homem disse que ia ao carro para pegar um cartão de crédito e voltaria em seguida para fazer uma compra. Mas quando ele voltou, não era um cartão de crédito, mas um revólver que ele tinha nas mãos. Ele imediatamente juntou as três mulheres aterrorizadas em um canto isolado da loja e as forçou serem submetidas a atos de abuso sexual.

Duas das mulheres desesperadas obedeceram as exigências sob a mira da arma deste ser brutal. Em seguida ele passou à sua terceira vítima, a cliente que, de acordo com amigos, provavelmente comprava alguns materiais para o seu apostolado de confecção de Terços. Era Jamie Schmidt, 53 anos, mãe de três filhos, que trabalhava como assistente de secretariado na St. Louis Community College, no subúrbio a oeste de Wildwood, e era uma paroquiana ativa em sua igreja paroquial, Santo Antônio de Pádua, em High Ridge, próxima do Condado de Jefferson. Não havia nada de incomum sobre essa senhora, até que ela fez algo muito notável.

Tendo acabado de ser forçada a testemunhar com horror o assalto sexual das duas mulheres ao seu lado, o agressor quis obrigar a Sra. Schmidt a submeter-se a abusos semelhantes. Porém, a Sra. Schmidt - chocada, indefesa e com o cano de uma arma apontada para a sua cabeça - apenas disse não.

Face a face com a morte, Jamie se recusou a permitir que sua pureza, sua dignidade pessoal e seu casamento fossem ultrajados. Ela o olhou diretamente nos olhos e disse: "Em nome de Deus, eu não vou tirar minhas roupas". Enfurecido por essa inesperada rejeição à sua exigência, seu agressor respondeu com um tiro à queima-roupa que a derrubou no local. A sobrevivente que deu esse testemunho acrescentou que, quando Jamie estava ali gravemente ferida, pôde ouvi-la sussurrando as palavras do Pai Nosso. Assim que o homem fugiu da loja, uma ligação para emergências 911 rapidamente trouxe uma ambulância e Jamie foi levada ao hospital mais próximo. Ela foi declarada morta mais tarde naquela noite; e, novamente, de acordo com uma de suas amigas com quem conversei em seu funeral ontem, as palavras do Pai Nosso estavam nos lábios dessa valente mulher em seu último suspiro.

Felizmente, após a divulgação imediata da descrição e vestimentas do perpetrador feita pelas duas sobreviventes, a polícia do condado de St. Louis fez um trabalho exemplar para rastreá-lo e, na quarta-feira 21, no dia anterior ao Dia de Ação de Graças, Thomas Bruce, 53 anos, do condado de Jefferson, foi preso em sua residência no estacionamento de trailers. Atualmente está preso sem fiança, sob 17 acusações, incluindo homicídio em primeiro grau, múltiplas acusações de agressão sexual, ação criminal armada, sequestro, roubo e adulteração de provas.

Este relato de resistência indomável ao mal demoníaco exige profunda reflexão. O ato de Jamie Schmidt de suprema coragem e nobreza, suscitado de imediato em um momento de crise súbita, claramente não veio do nada. A ação da graça estava evidentemente trabalhando de forma silenciosa e profunda na alma daquela senhora que vivia devota e discretamente, como qualquer outro bom católico. Seu marido, Greg Schmidt se casou com Jamie - sua namorada no ensino médio - em 1990, está compreensivelmente muito perturbado, bem como seus três filhos, para fazer qualquer declaração pública até este momento. Mas sua boa amiga e colega da Paróquia St. Antônio de Pádua, Laura Sheldon, declarou ao St. Louis Post-Dispatch,na última quarta-feira: "Ela era muito simples, muito modesta, muito quieta. Se você precisasse de ajuda, ela estaria lá. É assim que Jamie era." Ela também era ativa em um grupo paroquial que organizava retiros de mulheres. Além disso, a Sra. Schmidt era notavelmente talentosa artística e musicalmente, e usava esses seus dons para servir a Deus: ela adornava a igreja de Santo Antônio com algumas belas pinturas, participava ativamente no coro da paróquia, às vezes executando peças individuais. "A voz dela era simplesmente linda", disse sua amiga Laura.

O sacrifício da vida de Jamie Schmidt foi um caso de verdadeiro martírio? Só a Igreja será capaz de decidir com autoridade, é claro, depois de madura reflexão. Mas as evidências disponíveis até agora sugerem fortemente uma resposta afirmativa, e certamente parece justificar a pronta abertura de sua causa para a beatificação em nível diocesano. Embora possa haver pouca dúvida sobre seu heroísmo naquele momento supremo de sua existência, outro pré-requisito para o martírio é que o perpetrador não tenha agido simplesmente por ódio pessoal, ganância ou inimizade ideológica/política, mas em odium Christi- por ódio a Cristo. E os paralelos e precedentes aqui estão bem estabelecidos. Mesmo que esse assassinato não tenha sido feito com qualquer referência explícita à profissão de fé católica da vítima, é parte dessa fé que a lei moral natural, inscrita em todos os corações por Deus, tenha como seu Autor a Sabedoria Divina, o Logos, que se encarnou como Jesus nosso Redentor. Falando de "seu Filho muito amado" (Col. 1, 13;16), São Paulo prossegue afirmando: "Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. ... tudo foi criado por ele e para ele.".

Sabe-se que Thomas Bruce não tinha pessoalmente absolutamente nada contra nenhuma de suas três vítimas, nunca tinha encontrado qualquer uma delas antes. Seu ato bárbaro de abate, até onde podemos dizer pelas evidências disponíveis neste momento, foi, portanto, um ato implícito de ódio e rebelião contra Cristo, a Sabedoria encarnada, cuja lei divina e natural repreendeu e condenou o desejo perverso e adúltero por meio da resistência firme encontrada nesta mulher corajosa que carregava Cristo em seu coração. A eventual canonização de Jamie como mártir pareceria, portanto, acompanhar de perto as condições estabelecidas pela Igreja para elevar ao altar, por exemplo, a jovem Santa Maria Goretti (esfaqueado até a morte por se recusar a fornicar com um assaltante), São Carlos Lwanga e seus companheiros (que escolheram a morte pelo fogo, em vez de se envolverem em sodomia com um tirano homossexual) e, ainda, aquele mártir arquetípico, São João Batista, que perdeu a cabeça por denunciar a violação da lei moral por parte do rei em relação ao casamento.

Nos dias de hoje, numa época em que o relaxamento, a corrupção e a violação das leis de Deus em relação à pureza sexual e ao casamento são muito piores na sociedade moderna - e até mesmo dentro de níveis muito altos da própria Igreja! - do que quando os santos Maria Goretti e Charles Lwanga foram canonizados em meados do século passado, quão maravilhoso será se, a partir da tragédia indescritível da semana passada em St. Louis, surgir um novo farol espiritual para iluminar nossos amados Estados Unidos, o mundo em geral e, de fato, a nossa Igreja - ofuscada como está pela revolução sexual em curso com seus escândalos de abuso e a indecisão de um magistério manchado pela Amoris Laetitia! Que lindo, se o exemplo resplandecente puder ser elevado aos altares de uma nova santa mártir americana nativa - uma mulher que proclamou, às custas de sua própria vida, que as leis de Cristo contra o adultério e a perversão sexual são claras, absolutas e inequívocas!

Queira Deus que em breve possamos invocar a intercessão de Santa Jamie Schmidt para ajudar a tornar a América pura novamente!