É Possível Haver Um “Após o Socialismo”?

Os cadáveres se acumulavam nas ruas, o que deu origem a numerosos casos de canibalismo. O governo comunista, enquanto isso, continuou a pilhagem dos camponeses, deixando morrer deliberadamente todos aqueles que consideravam inimigos de classe. A União Soviética proibiu, sob penas severas, que o assunto fosse falado ou escrito até a chegada da Perestroika. Na Ucrânia, a fome é conhecida como Holodomor. Internacionalmente é considerado como um genocídio.
Os cadáveres se acumulavam nas ruas, o que deu origem a numerosos casos de canibalismo. O governo comunista, enquanto isso, continuou a pilhagem dos camponeses, deixando morrer deliberadamente todos aqueles que consideravam inimigos de classe. A União Soviética proibiu, sob penas severas, que o assunto fosse falado ou escrito até a chegada da Perestroika. Na Ucrânia, a fome é conhecida como Holodomor. Internacionalmente é considerado como um genocídio.

A meta do socialismo era colher os frutos culturais, científicos, criativos e comunitários da abolição da propriedade privada e dos livres mercados, bem como acabar com a tirania humana. Usando o comando do Estado, o comunismo procurou criar essa sociedade socialista. O que aconteceu na prática foi que um grupo de déspotas inumanos alcançou o poder: Lênin, Stalin, Mao Tse Tung, Kim Il Sung, Ho Chi Minh, Pol Pot, Fidel Castro, Mengistu, Ceausescu, Hoxha, dentre outros.[1]

Hoje somos chamados a analisar o que se seguiu a esses tiranos, que lições aprendemos a partir deles e que tipo de mundo pode emergir com a perda da crença no comunismo. Há um problema, no entanto: os cadáveres. Estamos cercados por inocentes mortos e a escala é totalmente sem precedentes. Não se trata dos milhares mortos durante a Inquisição[2]; não são os milhares de linchamentos americanos[3]. Não são os seis milhões de mortos do extermínio nazista. As melhores pesquisas produzem números que é imperativo que nossa mente compreenda: milhões de milhões de corpos.

Todos a nossa volta. Se contarmos os que morreram de inanição[4] durante as experiências comunistas com as interações humanas - de vinte a quarenta milhões em apenas três anos na China - podemos ainda acrescentar outros muitos milhões resultantes de fuzilamento; por exposição deliberada à morte; desnutrição; e assassinado em campos de trabalho e prisões, com a intenção de extrair até a última fibra de trabalho de seres humanos e depois matá-los. Estão todos ao nosso redor por meio de suas viúvas, seus viúvos e seus órfãos.

Enquanto não enfrentarmos e lidarmos com os mortos pelo comunismo, não haverá um "após o socialismo"

Nenhuma outra causa na história da humanidade gerou tantos tiranos cruéis, tantos órfãos e tantos inocentes dizimados quanto o socialismo no poder. O socialismo superou exponencialmente todos os outros sistemas de produção de mortos. Os cadáveres estão espalhados à nossa volta. E aqui se encontra o problema: ninguém fala desses mortos. Ninguém os honra. Ninguém faz penitência por eles. Ninguém cometeu suicídio por ter sido apologista daqueles que fizeram isso a eles. Ninguém paga por eles. Ninguém é caçado para ser responsabilizado por eles. É exatamente o que Alexander Solzhenitsyn previu em "Arquipélago Gulag": "Não, ninguém teria que se responsabilizar. Ninguém seria investigado". Enquanto isso não acontecer, não haverá nenhum "após o socialismo".


O Ocidente aceita um padrão duplo monstruoso, imperdoável. Repisamos os crimes do nazismo quase diariamente, os ensinamos a nossos filhos a título de lições históricas e morais ímpares e prestamos testemunho de cada vítima. Mas, com pouquíssimas exceções, guardamos um quase silêncio em relação aos crimes do comunismo. Por isso os cadáveres se espalham entre nós, por toda parte, despercebidos. Exigimos a "desnazificação" e criticamos asperamente aqueles que a moderaram em nome de realidades políticas novas ou emergentes. Mas nunca houve nem haverá um esforço semelhante de "descomunização", embora o massacre de inocentes tenha sido exponencialmente maior e embora aqueles que assinaram as ordens e comandaram os campos permaneçam. No caso do nazismo, caçamos homens de 90 anos porque "os ossos clamam" por justiça. No caso do comunismo, dizemos "nada de caça às bruxas" - deixem que os mortos enterrem os vivos. Porém os mortos não podem enterrar ninguém.

Portanto, os mortos estão entre nós, ignorados, e qualquer pessoa dotada de olhos morais os enxerga, por sua ausência em nossa consciência moral, transbordando nus das telas da televisão e do cinema, congelados pela dor em nossas salas de aula ou espalhados, insepultos, por nossa política e nossa cultura. Eles se sentam ao nosso lado em nossas conferências. Não poderia ter havido um "após o nazismo" sem o reconhecimento, a contagem dos mortos, a justiça, a memória. Enquanto não enfrentarmos e lidarmos com os mortos pelo comunismo, não haverá um "após o socialismo".

Nenhuma outra causa na história da humanidade gerou tantos tiranos cruéis, tantos órfãos e tantos inocentes dizimados quanto o socialismo no poder.

Nossos artistas estão corretamente obcecados com o menor deles, o ainda imensurável Holocausto, que durou vários anos. Ao assistirmos Noite e Neblina[5], Shoah[6], A Lista de Schindler[7] e inúmeros outros filmes, choramos, lamentamos e revisitamos a humanidade de nossas almas. O maior Holocausto comunista, que durou década após década - o grande cemitério da história humana - não inspira tal arte. O único filme a seu respeito, leve e modesto, Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, baseado no romance[8] de mesmo nome de Alexander Solzhenitsyn, quase nunca é repetido e não se encontra mais para ser comprado.

O holocausto comunista deveria ter produzido um florescimento da arte, do testemunho e da simpatia ocidentais. Deveria ter suscitado um oceano transbordante de lágrimas. Em vez disso, evocou uma geleira de indiferença. Crianças que na década de 1960 tinham retratos de Mao e Che nas paredes de suas faculdades - o equivalente moral de se ter retratos de Hitler, Goebbels ou Horst Wessel pendurados no quarto de alguém - hoje ensinam as nossas crianças sobre a superioridade moral de sua geração política. Todo livro-texto histórico insiste nos crimes do nazismo, busca suas causas e anuncia uma lição que deve ser aprendida. Todo mundo conhece o número "seis milhões". Em contra partida, são sempre "os enganos" do comunismo ou do estalinismo (cometidos "por engano" repetidamente). Pergunte aos universitários quantos morreram sob o regime de Stalin, e eles responderão, ainda hoje: "Milhares? Dezenas de milhares?"

A patologia dos intelectuais ocidentais os comprometeu a um relacionamento adverso com a cultura dos livres mercados e dos direitos individuais.

O registro histórico deixa realmente claro. O socialismo, onde quer que tenha sido de fato empregado como meio para planificar a sociedade, como forma de perseguir eficazmente sua visão da abolição da propriedade privada, da desigualdade econômica e da alocação de capital e de bens pelo livre mercado culminaram no esmagamento dos interesses individuais, econômicos, religiosos, de liberdade associativa e política. Só a coletivização da agricultura levou a um incalculável sofrimento, à escassez e ao descaso pela propriedade como fruto do trabalho. Foi, na melhor das hipóteses, a capacidade, através do horror e da servidão, de construir uma cidade como Gary[9], Indiana, sem as coisas boas e sem a capacidade de mantê-la.

Para sermos entes morais, precisamos reconhecer apropriadamente que essas coisas hediondas aconteceram e prestar testemunho da responsabilidade por esses tempos assassinos. Enquanto o socialismo não for obrigado a encarar sua realidade concreta (do mesmo modo como o nazismo ou o fascismo foram obrigados a encarar os campos de extermínio e o massacre de inocentes), as maiores atrocidades de toda a história documentada, não teremos um "após o socialismo".

Isso não vai acontecer. A patologia dos intelectuais ocidentais os comprometeu a um relacionamento adverso com a cultura dos livres mercados e dos direitos individuais, que produziu o maior alívio do sofrimento, a maior libertação da miséria, da ignorância e da superstição, e o maior aumento da prosperidade e oportunidade na história de toda a vida humana.

Essa patologia permite que os intelectuais ocidentais passem ao largo do Evereste de cadáveres de vítimas do comunismo sem uma lágrima, um lamento, um arrependimento, um ato de contrição ou um exame do caráter, da alma e da consciência.

O comportamento cognitivo dos intelectuais ocidentais confrontados com as conquistas de sua própria sociedade, por um lado, e com o ideal socialista e posteriormente com a realidade socialista, por outro, é de perder o fôlego. No meio de uma mobilidade social inigualável no Ocidente, eles gritam "casta". Em uma sociedade de bens e serviços magníficos, eles clamam "pobreza" ou "consumismo". Em uma sociedade de vidas cada vez mais ricas, mais variadas, mais produtivas, mais autodefinidas e mais satisfatórias, elas gritam "alienação". Em uma sociedade que libertou mulheres, minorias raciais, minorias religiosas, gays e lésbicas de uma forma que ninguém poderia ter sonhado há cinquenta anos, eles gritam "opressão". Em uma sociedade na qual centenas de milhões de free-riders[10] arriscam o conhecimento e o capital dos outros, eles condenam a "exploração" dos free-riders. Em uma sociedade que quebrou, em nome do mérito, as correntes aparentemente eternas de condição social atreladas ao nascimento, eles gritam "injustiça". Em nome de mundos fantasiosos e de perfeições místicas, eles se fecharam ao milagre ocidental dos direitos individuais, à responsabilidade individual, ao mérito e à satisfação humana. Como Marx, eles colocam palavras tais como "liberdade" entre aspas quando se referem ao Ocidente.

Ironicamente, é claro, as principais tradições do socialismo e do comunismo, ambas reivindicavam credenciais marxistas, e os marxistas certamente tinham um argumento correto: deveríamos julgar os sistemas humanos, em última análise, não como teorias e abstrações ideais, mas como história e prática reais. Em inefável má-fé, eles aplicaram essa medida a tudo, exceto àquilo que supostamente era mais importante para eles. De um lado a outro do planeta, intelectuais, propagandistas, professores e apologistas marxistas nunca contrastaram o "mundo socialista" existente com as sociedades mais ou menos liberais da Europa Ocidental e da América do Norte. Contrastavam, ao invés disso, a sociedade perfeita e imaginária, que nunca existiu, a uma sociedade existente e imperfeita que realizou maravilhas reais. Os marxistas apreciavam denunciar tal antirrealismo como "idealismo filosófico"[11] ao condená-lo nos outros. Foram eles, no entanto, que fingiram um mundo ideal desde suas próprias deturpações, ou seja, sempre foram eles os mais antirrealistas de todos. É apropriado, agora que as evidências históricas desnudaram tudo do marxismo, que seus herdeiros - os pós-modernistas antiocidentais da Esquerda Cultural[12] - devessem abraçar esse antirrealismo explicitamente, como uma expressão de atitude política.

O que deveria ter ocorrido "após o socialismo"?

A lista é longa: uma epifania anticomunista. Um festival de celebrações. Um florescimento de estudos comparativos sobre eles e nós. Uma contabilidade completa da realidade comunista - política, econômica, moral, ecológica, social, cultural e assim por diante. (O que não se gostaria de saber?) Um retorno responsável aos princípios subjacentes às diferenças do nosso lado. Um mea culpa conjunto, profundo, angustiado e introspectivo de todos aqueles que, sem malícia, estavam tragicamente errados. Uma sensibilidade aguda à natureza e às políticas da persistência dos regimes comunistas. Uma revisão de currículo. Um reconhecimento do valor inefável de um governo realmente limitado.

De fato, é justamente para evitar a revitalização dos princípios liberais clássicos que nossos professores de ensino médio e universitário, meios de informação e cineastas ignoram a investigação comparativa que o tempo tão urgentemente exige. De fato, é justamente por causa das lições que seriam ensinadas pelo conhecimento e pela verdade que nenhuma revisão de currículo ocorre. Por pelo menos uma geração, o desprezo intelectual está no cerne das ciências humanas e sociais pela sociedade liberal como uma civilização, um conjunto de instituições e uma constelação de ideais, apesar do fato de que agora não há desculpa intelectual para ignorar certas verdades.

Sabemos que o intercâmbio voluntário entre indivíduos considerados moralmente responsáveis sob o império da lei cria tanto prosperidade quanto uma diversidade inigualável de escolhas humanas. Tal modelo também tem sido uma precondição da individuação e da liberdade. Por outro lado, os regimes de planejamento central criam pobreza e ocasião para inevitáveis desenvolvimentos em direção ao totalitarismo e aos piores abusos de poder. As sociedades dinâmicas de livre mercado, baseadas no individualismo, baseadas em direitos, alteraram toda a concepção humana de liberdade e dignidade para os grupos anteriormente marginalizados. Toda a "experiência socialista", pelo contrário, terminou em paralisação; ódios étnicos; a ausência até mesmo das precondições mínimas de renovação econômica, social e política; e desprezo categórico pela individuação e pelos direitos. Nossos filhos não conhecem esta comparação verdadeira.

Quanto aos mea culpa, nós os esperamos em vão daqueles que afirmam não conhecer ou que ainda preferem não aprender. Deixe os intelectuais ocidentais repetirem a frase do poema "Requiem"[13], uma obra escrita durante o terror estalinista por Anna Akhmatova, a maior poeta russa do século XX:

"Lembrarei delas para sempre em toda parte

Mesmo que à frente outro flagelo me aguarde,."

Os cadáveres exigem uma responsabilização, um pedido de desculpas, um arrependimento. Sem essas coisas, não haverá um 'após o socialismo'.

- Original em inglês: Atlas Society em 27 de setembro de 2003 | por Alan Charles Kors.

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Sobre o Autor: Alan Charles Kors (Bacheral em Artes pela Universidade de Princeton; Mestre e Ph.D., pela Harvard) é especialista em história intelectual europeia dos séculos XVII e XVIII, com especial interesse em ensinar a profunda transformação intelectual do pensamento europeu, e com foco de pesquisa nas relações entre os pensamentos ortodoxo e heterodoxo na França depois de 1650. Publicou vários livros e muitos artigos sobre a história intelectual francesa da era modernista e foi editor-chefe da Encyclopedia of the Enlightenment (4 volumes, Oxford University Press, 2002). Ensina regularmente, dentre outros cursos: história intelectual europeia do século XVII; história intelectual europeia do século XVIII; e vários seminários sobre o iluminismo francês, a história do liberalismo clássico e o fenômeno da desilusão política. Serviu por seis anos, após aceitação pelo Senado dos EUA, no Conselho Nacional para as Humanidades, e recebeu bolsa do Conselho Americano para as Sociedades de Estudos, da Fundação Smith-Richardson e do Centro Davis de Estudos Históricos da Universidade de Princeton. Em 2003-2004, foi Pesquisador Visitante da Phi Beta Kappa - sociedade de honra nas áreas de ciência e arte liberal dos EUA - palestrando em todo o país sobre a história intelectual do início da era moderna e sobre a liberdade acadêmica. Ganhou o Prêmio Lindback e o Prêmio Memorial Ira Abrams pelo destacado ensino superior e vários prêmios nacionais pela defesa da liberdade acadêmica. Em 2005, na Casa Branca, recebeu a Medalha Nacional de Humanidades, por, segundo a citação, "seu estudo do pensamento intelectual europeu e sua dedicação ao estudo das humanidades. Um professor altamente respeitado e defensor da liberdade acadêmica." Ele ministrou seminários na École Pratique des Hautes Études da Universidade de Paris e na Universidade de Leiden, e palestro pela TB Davie Lecture sobre Liberdade Acadêmica na University of Cape Town. Serviu no Conselho de Governadores da Sociedade Histórica e no Comitê Executivo da Sociedade Americana para Estudos do Século XVIII. Em 2008, ele recebeu o prêmio Bradley.

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Notas:

[1] A introdução da obra O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão, a cargo do editor Stéphane Courtois, declara que "...os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo". Courtois apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões. A estatística do número de mortes por ele dado é a seguinte:

  • 20 milhões na União Soviética
  • 65 milhões na República Popular da China
  • 1 milhão no Vietname
  • 2 milhões na Coreia do Norte
  • 2 milhões no Camboja
  • 1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
  • 150 mil na América Latina
  • 1,7 milhões na África
  • 1,5 milhões no Afeganistão
  • 10 000 mortes "resultantes das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder" (página 4).

O livro defende explicitamente que os regimes comunistas são responsáveis por um número maior de mortes do que qualquer outra ideologia ou movimento político. As estatísticas das vítimas incluem execuções, fomes intencionalmente provocadas, mortes resultantes de deportações, prisões e trabalhos forçados.

[2] Sobre a Inquisição, sugerimos consultar o site O Catequista para uma abordagem atualizada sobre o tema aqui, aqui e aqui.

[3] Os linchamentos nos Estados Unidos aumentaram em número após a Guerra Civil Americana no final de 1800, em seguida a emancipação dos escravos; tais práticas declinaram na década de 1920, mas continuaram a ocorrer no século 21. A maioria dos linchamentos era de homens afro-americanos no sul, mas também mulheres eram linchadas. Linchamentos de negros por brancos ocorreram nos estados do centro-oeste e das fronteiras, especialmente durante a Grande Migração de negros do século 20 que deixavam do sul.

[4] Inanição, segundo a medicina, é um estado em que a pessoa se encontra extremamente enfraquecida, por falta de alimentos ou por deficiência na sua assimilação. Foi usada como método de pena de morte em que o condenado era deixado, de alguma forma, ao abandono e sem alimentos.

[5] Realizado em 1955 sob encomenda do Comitê da História da Segunda Guerra Mundial, o filme apresenta um perturbador registro dos locais em que até pouco tempo antes funcionavam os campos de concentração nazistas. Acompanhando as imagens da guerra e do pós-guerra, há a narração de um texto do poeta francês Jean Cayrol, que é um dos sobreviventes.

[6] Neste filme, os campos de extermínio nazistas são mostrados a partir de imagens e depoimentos de sobreviventes, testemunhas e até de pessoas que organizavam ou trabalhavam no processo de extermínio em massa. Centrado nessas pessoas, o filme mostra que o antissemitismo que provocou o enorme massacre ainda estava bem vivo na época, principalmente na Alemanha e na Polônia.

[7] A inusitada história de Oskar Schindler, um sujeito oportunista, sedutor, "armador", simpático e comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.

[8] Livro do escritor russo Alexander Soljenítsin, que foi publicado em novembro de 1962. O romance "Um Dia na Vida de Ivan Denisovich" relata a história fictícia de um russo Ivan Denisovich que foi acusado injustamente de ter espionado a favor do alemães, após a sua captura na frente de batalha. Esta história é semelhante a que o seu autor, Soljenítsin, passou após a guerra. O livro descreve as impressionante condições da prisão e do sistema prisional soviético. Na sua pena de dez anos, Ivan Denisovich tem que a cada dia trabalhar no Cazaquistão sob temperaturas baixíssimas, tendo dificuldade para se alimentar devido a péssima comida. É punido por dormir por mais alguns minutos do tempo estabelecido, tem que trabalhar fazendo o uso de finas luvas que se rasgam com facilidade. Tem que usar sapatos de número inferior ao de seu pé. Tem que dormir em camas improvisadas e usar cobertores sujos e rasgados. Os prisioneiros tem que torcer para que a temperatura externas seja inferior a -41°C, para que possam ser dispensados do árduo trabalho diário. Certo dia, Solzhenitsyn após muito relutar, procurou o editor-chefe da revista literária soviética Noviy Mir, um poeta chamado Alexander Tvardóvski, com o seu manuscrito em mãos. Foi após a publicação deste livro que a sociedade soviética finalmente soube o que se passava com as pessoas que eram condenadas por crimes político. A publicação da obra foi autorizada pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) Nikita Kruschev aparentemente como prova de suas acusações contra o dirigente soviético anterior.

[9] Gary é uma cidade no Condado de Lake, em Indiana, nos Estados Unidos, a 40 km do centro de Chicago, Illinois. Gary recebeu o nome do advogado Elbert Henry Gary, que foi o presidente fundador da empresa de aço United States Steel Corporation. Foi uma cidade próspera da década de 1920 até a década de 1950, devido à sua indústria de aço em expansão, mas a concorrência no exterior forçou muitos trabalhadores a sair de seus empregos e a indústria declinou rapidamente. Já tendo uma reputação de cidade difícil devido à corrupção política, segregação racial, agitação trabalhista e violência, esses problemas foram exacerbados pelo declínio da indústria e infraestrutura da cidade.

[10] Em economia, os free riders são aqueles que se beneficiam, sem pagar, de recursos, bens públicos ou serviços, podendo resultar em uma sub-provisão desses bens ou serviços. Por exemplo, um free rider pode com frequência pedir por estacionamentos disponíveis (bens públicos) àqueles que já pagaram por eles, para se beneficiar de estacionamento gratuito. Ou seja, o free rider pode fazer uso do estacionamento mais ainda do que os demais, sem pagar um centavo.

[11] Para uma definição geral de "idealismo filosófico" ver aqui.

[12] Para uma compreensão do que seja a Esquerda Cultural sugerimos assistir ao vídeo do Prof. Olavo de Carvalho, Marxismo Cultural no Brasil, em que expõe sua gênese e alvos e a aula sobre sobre Marxismo Cultural, George Soros, Política Mundial e Globalismo

[13] Uma tradução de parte do poema "Requien" pode ser acessada aqui.

[*] A foto nesta postagem está no blog Libertad Digital onde mostra o comunismo em imagens.