Compreendendo O Significado Católico Do Filme ‘A Paixão De Cristo’

29/03/2021

A ação principal em A Paixão de Cristo - (re)assistir aqui - consiste em um homem ser espancado, mutilado, torturado, crucificado e finalmente executado. O filme é difícil de assistir - tanto que alguns críticos o consideram ofensivo, até sádico, alegando que fetichiza a violência. Apontando para crueldades semelhantes nos filmes anteriores de Gibson, como a execução brutal de William Wallace em Coração Valente, os críticos alegam que o filme reflete um fascínio doentio por sangue e brutalidade por parte de Gibson.

Outros críticos, incluindo alguns cristãos, foram ainda mais longe, acusando não apenas Gibson, mas certas formas da piedade cristã de uma obsessão mórbida por sangue e morte. Por exemplo, ao escrever antes do lançamento do filme em 2003, o então escritor evangélico Michael Coren comentou:

É certamente um alívio ver uma tentativa de abordagem da realidade grotesca da morte violenta, em vez das representações diluídas de algumas representações em filmes. Mas, novamente, com todo o devido respeito ao catolicismo, houve no passado e até certo ponto ainda existe, um virtual culto ao sangue dentro do catolicismo. A Igreja medieval era obcecada por sangue coagulado, e ainda hoje, no sul da Europa, vemos fetiches bastante repugnantes com sangue sagrado, sangue sacro, milagre do sangue. Se for o medievalismo europeu que estamos assistindo, em vez de uma antiga Judéia morta pela seca e sedenta de Deus, poderíamos estar em apuros. (National Post, 21 de agosto de 2003)

Há algo quase revigorante em encontrar um opositor tão franco sobre seus preconceitos culturais e religiosos, muito embora Coren, que foi criado como católico e depois que escreveu essas palavras retornou à Igreja Católica, possa não ser o exemplo mais representativo.

Embora incontáveis cristãos não-católicos tenham respondido com grande entusiasmo ao filme A Paixão de Cristo, muito da reação anti-passionista está enraizada no preconceito contra uma forma de devoção que é estranha aos opositores. A expressão de Coren de preconceito anti-católico, anti-europeu, anti-medieval e o correspondente escrúpulo evangélico revelam de maneira franca o que muitos não se permitem colocar de forma tão sincera.

Mas não é só essa a reação dentro do mundo dos crentes. Nem é o filme de Gibson a primeira obra de arte cristã a ser acusada de morbidez excessiva. Acusações semelhantes podem ser encontradas contra exercícios devocionais, como a Via Crucis (ou Estações da Cruz) e os Mistérios Dolorosos do Rosário, que envolvem a contemplação prolongada das especificidades do sofrimento e morte de Cristo. Mesmo a observância da Sexta-Feira Santa, ou a exibição de um simples crucifixo, tem sido vista com suspeita e hostilidade por alguns, tanto dentro quanto fora da fé cristã.

Em sua forma mais extrema, a acusação de morbidez foi atribuída à própria fé cristã. Os críticos mais severos do Cristianismo o denunciam como "uma religião da morte". Claramente, em algum ponto, objeções desse tipo devem ser consideradas como um exemplo do que as escrituras chamam de "escândalo" da Cruz. É a própria Cruz, o próprio sofrimento e morte de Deus feito homem, e a maneira como os cristãos respondem a este evento em sua fé e devoção, que está por trás de muitas (embora não em todas) da controvérsias religiosas e anti-religiosas sobre o brutalidade deste filme em particular.

Nada disso quer dizer que não haja críticas ou preocupações válidas, que valham a pena levantar em relação ao filme A Paixão. Existem, por exemplo, em conexão com algumas decisões infelizes na descrição dos oponentes judeus de Jesus, embora mesmo tais críticas tenham sido exageradas e distorcidas.

Mas é claro que algumas das acusações lançadas ao filme também podem ser dirigidas contra a fé e a prática cristãs. "Assistir este filme é um ato de autoflagelação", afirma um crítico de cinema. Bem, e se for? A mortificação da carne tem uma longa e venerável história na espiritualidade cristã.

A Divina Misericórdia na Paixão

Como podem os críticos, mesmo alguns cristãos, olhar para A Paixão de Cristo e ver apenas brutalidade sem sentido, em vez de significado redentor? Em parte, pode ser porque alguns deles literalmente não sabem para o que estão olhando.

Pegue uma cena que é um dos momentos mais inspirados, mas menos observados do filme, o centurião perfurando o lado do Cristo morto com uma lança, dispensando um fluxo de sangue e água. Em outras representações, o sangue e a água costumam ser mostrados escorrendo ou gotejando pela lateral do seu corpo. Gibson, no entanto, descreve um jato de sangue e água jorrando do lado de Cristo e caindo sobre o centurião assustado.

Para alguns espectadores, essa tomada pode ter parecido nada mais do que uma explosão de sangue coagulado infundado, apenas mais um momento do drama de violência maximizado de um diretor por ela obcecado. O fato da imagem não ter sido invenção de Gibson - ela vem de uma de suas fontes inspiradoras, os escritos visionários da Venerável Anna Catarina Emmerich - pode não ajudar muito, já que muitos críticos do filme de Gibson suspeitam da devoção católica tradicional e de Anna Catarina Emmerich em particular, como ainda de Gibson. Seja como for, continuam incapazes de ver o significado espiritual no que para eles parece ser uma imagem gratuitamente sangrenta.

Para compreender o real significado da imagem, é útil compará-la com uma imagem conhecida na iconografia devocional católica, a conhecida imagem da Divina Misericórdia, baseada nas visões de Santa Faustina Helena Kowalska, que representa Cristo com raios de luz vermelha e branca emanando do seu lado. Aqui está a explicação dos raios vermelhos e brancos do relato da própria Faustina sobre as palavras de Cristo na visão:

"Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia quando, na cruz, o Meu coração agonizante foi aberto pela lança... Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus".

O argumento de Gibson ao retratar o soldado romano (que é identificado com o centurião tradicionalmente chamado de Longuinho, que declarou Jesus como Filho de Deus e cuja conversão subsequente é o assunto do filme O Manto Sagrado) banhado no sangue e na água que jorraram do lado de Cristo é o o mesmo de Santa Faustina ao dizer "Feliz aquele que viver à sua sombra" dos raios vermelhos e brancos que representam esse mesmo sangue e água.

A questão aqui não é que seja necessário estar familiarizado com a arte devocional católica para compreender o significado do filme A Paixão de Cristo. Os espectadores que apreciaram o filme incluem não-católicos, não-cristãos, não-religiosos e até agnósticos e ateus.

No entanto, os críticos que condenam o filme, sem reconhecer sua base na arte sagrada ocidental e na tradição espiritual, estão condenando o que eles não entendem. As críticas sobre a falta generalizada do filme de caracterizações bem desenvolvidas e de estereótipos exagerados, por exemplo, erram o alvo tanto quanto aqueles que criticam a violência.

As caracterizações arquetípicas de Gibson, desde a risada brutal e sem sentido dos centuriões quase orques até a hostilidade implacável dos anciãos judeus, seguem a mesma tradição das figuras arquetípicas e grotescas na arte sagrada às vezes graficamente violenta de, por exemplo, Matthias Grünewald, Hieronymus Bosch e Pieter Bruegel, o Velho. (O documentário da PBS The Face - Jesus in Art], parcialmente narrado por Gibson, inclui um segmento sobre o retrato histórico dos sofrimentos de Cristo que pode ser esclarecedor para os críticos que perderam os 2.000 anos intermediários entre os relatos do Evangelho e o filme A Paixão de Cristo).

Reclamar sobre a falta de desenvolvimento do personagem e das imagens violentas em A Paixão é perder a realidade de que a caracterização matizada nem sempre é a questão em todos os estilos de arte - na verdade, em alguns estilos pode ser uma distração - e que sangue e sanguinolência na arte não foram inventados pelos filmes de ação de Hollywood. 

A Paixão em perspectiva

Para entender a brutalidade de A Paixão de Gibson dentro do próprio contexto redentor do filme, deve-se começar uma hora antes do primeiro golpe ser desferido, na cena de abertura no Jardim do Getsêmani.

Como imaginado aqui, a agonia de Jesus no jardim remonta a dois eventos anteriores na história da salvação: a tentação no deserto e o Jardim do Éden. A agonia no Jardim e a tentação no deserto são as duas provações em cada extremidade da vida pública de Cristo em que Ele foi assistido por anjos, mas o filme de Gibson, como outras dramatizações recentes (e.g., The Miracle Maker)1, omite os anjos; ao invés disso retrata Satanás retornando para tentar Jesus, testando-O na véspera de Sua paixão, assim como ele fez no início de Sua vida pública. 


Essa imagem inicial de Satanás ali no Jardim, tentando Jesus, o segundo Adão, lembra outra cena dos capítulos iniciais das escrituras, a tentação do primeiro Adão em outro jardim, o do Éden. Gibson até usa uma serpente real, fortalecendo a ressonância de Gênesis 3 - e também, talvez, aludindo ao que seja provavelmente o único outro filme a usar uma serpente real para retratar Cristo sendo tentado, a saber, A Última Tentação de Cristo.

Essa imagem inicial de Satanás ali no Jardim, tentando Jesus, o segundo Adão, lembra outra cena dos capítulos iniciais das escrituras, a tentação do primeiro Adão em outro jardim, o do Éden. Gibson até usa uma serpente real, fortalecendo a ressonância de Gênesis 3 - e também, talvez, aludindo ao que seja provavelmente o único outro filme a usar uma serpente real para retratar Cristo sendo tentado, a saber, A Última Tentação de Cristo.

Pode parecer estranho pensar no tradicionalista Gibson aludindo ao filme notoriamente polêmico de Scorsese, o último grande filme de Jesus antes de A Paixão de Cristo. No entanto, A Paixão parece estar consciente do filme anterior. (Jeffrey Overstreet, do ChristianityToday.com, entre outros, observou que a trilha sonora é claramente uma reminiscência da trilha de Peter Gabriel de A Última Tentação).

Se Gibson reutilizou conscientemente a imagem da serpente, não foi como uma homenagem ao filme de Scorsese, mas como uma refutação dele. A coisa mais impressionante sobre as duas cenas da serpente é como elas destacam duas ideias totalmente distintas do que significava para Jesus ser tentado. Em nítido contraste com A Última Tentação, onde o confronto entre Jesus e a serpente é inconclusivo, A Paixão leva a tentação a um fim decisivo com Jesus literalmente pisando na serpente, em uma alusão inconfundível de Gênesis 3,15, um versículo às vezes chamado de "protoevangelion" ou "primeiro Evangelho": "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. "

Estabelecendo o significado redentor

A cena da tentação também serve para estabelecer o significado, o propósito e a meta de tudo o que se segue. Ironicamente, assim como as tentações no deserto implicitamente dão testemunho da divindade de Cristo ("Se você é o Filho de Deus ..."), aqui estão as insinuações do tentador que indicam a natureza da missão de Jesus: "Você acha que pode suportar o peso dos pecados do mundo? Eles não valem isso. O fardo é muito grande. Ninguém pode suportá-lo."

Essas falas apresentadas na cena de abertura, fornecem um contexto chave para o resto do filme. Primeiro, Jesus pretende levar sobre Si o peso ou fardo de nossos pecados. Em segundo lugar, isso se revelará uma provação horrível. Terceiro, Ele aceita essa provação por amor a nós - isto é, Ele rejeita a sugestão do tentador de que a humanidade "não vale isso"; para Ele, obviamente, valemos. Este é o contexto no qual cada golpe subsequente, cada laceração, cada flagelação devem ser vistos.

Uma outra cena inicial lembra os aspectos escandalosos e ofensivos da vida pública de Jesus, fornecendo o contexto necessário para sua perseguição pelos líderes judeus. No julgamento noturno perante o Sinédrio ou o Conselho Judaico, testemunhas se apresentam para depor contra ele, ao oferecerem basicamente um resumo de tudo o que era controverso na pregação e na vida de Jesus: Suas afirmações de ser capaz de perdoar pecados; Suas palavras desconcertantes sobre a reconstrução do Templo após três dias; a acusação de que Ele praticara exorcismos por meios diabólicos; Seu ensino chocante sobre a necessidade de comer Sua carne e beber Seu sangue; e, claro, Sua reivindicação de ser o Messias e o Filho de Deus, levando o sumo sacerdote Caifás a acusá-Lo de blasfemador.

"Inimizade entre ti e a mulher"

O significado de Gênesis 3,15 para A Paixão de Cristo não termina com a cena inicial. Também pode ser visto, de forma menos impressionante, porém mais abrangente, na abordagem do filme sobre Maria, a Mãe de Jesus.

Na exegese cristã tradicional, "a mulher" e sua "descendência" foram interpretados como se referindo, em última instância, a Maria e Jesus; e a "inimizade" estabelecida por Deus entre a mulher e a serpente foi entendida como significando uma oposição total de vontades. A "inimizade" de Maria por Satanás, ensina o dogma católico, não está comprometida por qualquer mancha de pecado e está enraizada na graça de Deus a Ela concedida em sua Imaculada Conceição.

Essa oposição completa entre Maria e Satanás é evocada de forma imaginativa e poética em A Paixão de Cristo em várias cenas. Um desses momentos ocorre quando Jesus carrega Sua Cruz no meio da multidão, com Maria O seguindo ansiosamente de um lado e o tentador do outro, espelhando-se a Ela e, portanto, se opondo a Ela. Outra ocorre durante a flagelação na coluna, quando Satanás se manifesta em uma visão que equivale a uma horrível paródia das imagens da Madona e do Filho.

Para Gibson, Maria e Satanás são imagens antagônicas e opostas, refletindo a oposição total de vontades, a "inimizade" que existe entre a Imaculada Conceição e o inimigo da humanidade.

Significado católico, espectadores protestantes

Esses temas marianos, juntamente com a alusão à Divina Misericórdia na perfuração do lado de Cristo, são apenas dois aspectos de uma espiritualidade fortemente católica que permeia o filme. Nesse sentido, um dos aspectos mais interessantes da recepção do filme é o quão avidamente ele foi abraçado por cristãos não-católicos que, em muitos casos, poderiam estar dispostos a responder a tais idéias e sensibilidades católicas com suspeita ou hostilidade.

Não que A Paixão de Cristo seja um tratado anti-protestante. Longe disso. O filme se concentra em grande medida no que une os cristãos, não no que nos divide. Seu tema central - a crença de que o Filho de Deus para nossa salvação sofreu e foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos - é compartilhado por cristãos católicos e não-católicos. Os crentes protestantes que assistirem o filme verão em grande parte sua própria fé refletida nele e, com razão, considerarão o filme uma afirmação de suas próprias crenças.

Isso por si só tem um significado ecumênico notável. Enquanto muitos protestantes reconhecem os católicos como irmãos em Cristo e a Igreja Católica como uma igreja cristã, muitos outros, particularmente em relação à extremidade fundamentalista do espectro, continuam a ter uma visão obscura dos católicos e do catolicismo. Frases como "uma igreja apóstata", "uma mistura de cristianismo e paganismo" e "religião misteriosa da Babilônia" são comuns nesses círculos. Quase se pode ouvi-los perguntando: "Pode algo bom sair do catolicismo?"

No entanto, as crenças católicas de Gibson e da estrela Jim Caviezel são tão conhecidas que, ao abraçar A Paixão de Cristo como um filme profundamente cristão, os não-católicos terão dificuldade em aceitar seu diretor e a estrela, e outros católicos com eles, como irmãos em Cristo. As tendências tradicionalistas de Gibson apenas aguçam o conflito, uma vez que ressaltam que o Evangelho não é algo recentemente descoberto por católicos progressistas a partir do Vaticano II, mas é precisamente a fé católica tradicional.

Mas o significado católico de A Paixão de Cristo para a comunidade evangélica vai além da mera identificação do Evangelho com a tradição católica. À medida que os não-católicos assistem ao filme, eles começam a perceber que, permeando o Evangelho da graça que conhecem e amam, há uma sensibilidade em ação que pode, a princípio, parecer estranha para eles.

Tradição e imagens eucarísticas

A estrutura do filme, seguindo a Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo da Venerável Irmã Anna Catarina Emmerich, uma das fontes do roteiro, combina duas devoções católicas tradicionais populares: as 14 estações da cruz e os cinco mistérios dolorosos do Rosário Cada mistério e cada estação estão lá, em ordem - incluindo um evento retirado inteiramente da tradição, Santa Verônica enxugando o rosto do Senhor.

O filme destaca a sensibilidade eucarística católica ao apresentar a Última Ceia, não cronologicamente antes do Jardim do Getsêmani, mas em um flashback intercalado com a própria Crucificação. Esta justaposição da Crucificação e da Última Ceia reflete o dogma católico de que a Missa, junto com a Cruz, é um verdadeiro sacrifício, e o sacrifício do Altar e o da Cruz são um e o mesmo.

Uma outra cena-chave com conotações eucarísticas ocorre após a flagelação na coluna, quando as duas Marias, a mãe de Jesus e Madalena, ajoelham-se e começam a limpar o sangue derramado nas lajes. Essa imagem certamente deixará não poucos protestantes coçando a cabeça. Somente à luz da sensibilidade católica em relação ao precioso sangue de Cristo na Eucaristia, que isso começa a fazer sentido.

Mais temas marianos

Para muitos não-católicos, Maria é um assunto tão contencioso que a simples menção de seu nome provoca uma atitude defensiva: "Maria era apenas uma mulher pecadora comum como qualquer outra; Deus a usou de uma maneira especial, mas ela não é diferente de você ou eu."

Além dos temas marianos mencionados acima, a abordagem geral feita de Maria em A Paixão ajuda a ir além dessa defesa, convidando o espectador a uma contemplação positiva e solidária da relação única de Maria com Jesus e seus discípulos. Quando uma cena da angústia de Maria com seu Filho cambaleando sob a Cruz dá lugar a um flashback de Jesus caindo quando criança e Maria correndo ao seu encontro, muitos vão entender em um nível emocional algo que eles podem resistir a colocar em palavras: que enquanto apenas Jesus fez expiação por nossos pecados, de todos os seus seguidores, Maria uniu-se de uma maneira única a Ele em Seus sofrimentos, pois o coração de Sua mãe foi trespassado por uma espada.

Há também a forma como o filme apresenta as últimas palavras de Jesus na Cruz à Sua mãe e ao discípulo amado - "Mulher, eis o teu filho... Filho, eis a... tua mãe" - com aquela pausa significativa antes das duas últimas palavras. Acrescente-se a isso a maneira como Pedro logo no início se refere a Maria como "Mãe", e fica claro que A Paixão apresenta Maria como uma figura materna para todos os discípulos de Jesus.

Um chamado à conversão

A Paixão de Cristo foi amplamente saudado por cristãos não-católicos como uma ferramenta evangelizadora. À luz dos temas católicos do filme, pode-se dizer que existe um sentido em que os próprios evangélicos e os fundamentalistas estão também dentre aqueles a serem evangelizados.

Na medida em que o filme é uma chamada à conversão, porém, é uma chamada a todos, católicos e não-católicos, crentes e não-crentes. Para aqueles que acreditam, católicos ou não, A Paixão de Cristo nos convida a um compromisso mais profundo com nosso Senhor Jesus Cristo e a uma participação mais profunda no Mistério Pascal de sua paixão, morte e ressurreição.

Original em inglês: DecentFilms


Nota:

1 - Em português "O Fazedor de Milagres" - 1999 - é o retrato de Jesus numa animação única que combina de modo vivo uma animação tridimensional com sofisticados efeitos de computador para atingir um intenso e extraordinário realismo.