As Novas Congregações Femininas: Ordens Tradicionais Estão Florescendo

Uma das Irmãs pela Vida assiste à Missa de abertura da Vigília Nacional de Oração pela Vida na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington (CNS/Nancy Phelan Wiechec)
Uma das Irmãs pela Vida assiste à Missa de abertura da Vigília Nacional de Oração pela Vida na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington (CNS/Nancy Phelan Wiechec)

Nem todas as ordens religiosas femininas estão encolhendo. Porém, algumas estão crescendo a um ritmo impressionante. Qual é o segredo delas?

As Irmãs vestidas de azul e branco da Comunidade de Nossa Senhora de Walsingham adquiriram recentemente uma nova area para o noviciado, um celeiro adaptado em Dereham, Norfolk, em um grande terreno com outro celeiro que elas estão transformando em quartos extras para o seu trabalho com as jovens.

A comunidade não é grande, mas está crescendo - e isso faz parte de uma tendência que vale a pena examinar. Outras comunidades florescentes na Inglaterra incluem as Irmãs Dominicanas de São José em Lymington, Hampshire; as irmãs de Maria Estrela da Manhã, em Grayshott, Hampshire; e as Irmãs Franciscanas da Renovação em Leeds, Yorkshire.

Elas são evidência de uma nova direção para ordens religiosas. Seus números estão aumentando - assim como os de algumas das ordens contemplativas mais antigas, como as Irmãs Beneditinas de Santa Cecília, na Ilha de Wight, e as Freiras de Tyburn, em Londres. Todas elas usam um hábito religioso completo, cantam juntas diariamente o Ofício, amam a Igreja, têm a Missa como o centro de suas vidas, vivem de maneira simples e assistem pouco, quando assistem, à televisão.

Em vez de abrir escolas, como fizeram as novas ordens religiosas no século XIX, essas novas ordens concentram-se em cuidar das famílias e evangelizar os jovens por meio de retiros e uma série de atividades fora da escola. Elas são inspirados pelas tradições seculares da vida religiosa e levam a sério o apelo do Vaticano II para uma renovação autêntica que responda às necessidades específicas do nosso tempo. Elas são contemplativas em espírito, ativas e bem-humoradas. Elas também tendem a ser grandes fãs de São João Paulo II e Bento XVI, apaixonadamente leais à Igreja, muito ortodoxas em suas crenças e devotas ao Santíssimo Sacramento.

Em seus véus e hábitos completos, elas estão muito sintonizadas com as novas ordens religiosas femininas nos Estados Unidos, incluindo as Irmãs pela Vida, fundadas pelo Cardeal John O'Connor, de Nova York, em 1991. Eu fiquei recentemente com essas irmãs em sua casa principal, não muito longe da Catedral de São Patrício. É um grande convento de tijolo vermelho que antigamente pertencia a uma ordem antiga que não mais precisava dela. O prédio principal agora abriga uma grande comunidade de irmãs e, em uma ala adjacente independente, salas para mulheres grávidas locais e seus bebês.

O trabalho das Irmãs envolve dar às mulheres um refúgio, juntamente com ajuda prática e aconselhamento, em uma atmosfera de calma e de amizade, enquanto os planos futuros são feitos.

Este projeto foi lançado pelo Cardeal O'Connor para oferecer uma alternativa ao horror do aborto - e as Irmãs conquistaram um lugar nos corações de muitos por meio de seus cuidados amorosos e práticos. Não é um trabalho fácil: toda mulher lutando com uma gravidez problemática tem suas próprias preocupações, raivas, ressentimentos e dificuldades. Boa vontade, bom humor, tato e paciência são necessários para oferecer ajuda e cuidado - e nem todos os conselhos serão seguidos ou toda bondade retribuída. Mas muitas mulheres mantêm contato e enviam imagens de crianças em crescimento e de vidas reformuladas em uma direção positiva.

As jovens Irmãs - sua idade média está bem abaixo de 40 - exalam calor humano, fé e um forte senso de propósito. Senti-me energizada estando com elas - mesmo que isso significasse levantar cedo para se juntar a elas na Missa (elas já estavam rezando por mais de uma hora).

A visão da Reverenda Madre sentada na porta da frente, na ruidosa rua de Nova York, conversando com uma multidão de jovens que se formou é uma das muitas vivas lembranças da minha estada com elas. As freiras são populares na área e exalam um senso de boa-vizinhança muito raro nas cidades americanas de hoje.

Mas - e isso é significativo - as Irmãs pela Vida assumiram o estilo de seu hábito religioso, e muito de sua Regra, de uma ordem antiga, as Irmãs Dominicanas de Santa Cecília em Nashville, Tennessee, uma comunidade muito sólida, cuja origem remonta a 1860. As Dominicanos de Nashville mantiveram seus votos, suas vestimentas religiosas e suas ideias fundadoras numa época em que muitas ordens pareciam estar abandonando tudo o que pudesse ligá-las ao seu passado. As novas ordens femininas florescentes tendem a ser conscientes da necessidade de aprender com o passado e se sentem confortáveis com isso.

Aliás, as Irmãs de Nashville estão abrindo novos conventos e chegaram agora à Grã-Bretanha. Há um grupo delas estabelecido em Elgin na Escócia. As Irmãs Franciscanas da Renovação de Leeds também têm uma ligação com os Estados Unidos. Elas fazem parte dos Franciscanos renovados estabelecidas pelo Pe. Benedict Groeschel e pelo Pe. Andrew Apostoli em Nova York. Elas, como os Frades Franciscanos da Renovação, procuram compartilhar o caminho original, muito difícil, da pobreza real vivida por São Francisco.

Enquanto alguns hábitos religiosos estão se tornando muito confortáveis, o delas honestamente não são: vestes cinza soltas, um véu jogado para frente com uma estrutura dura. Mas de alguma forma todos eles são lindos. Elas trabalham entre pessoas com vidas difíceis e muitas vezes complicadas. Para usar uma expressão da moda, elas evangelizam "os marginalizados". Mas elas irradiam alegria.

Enquanto isso, as Irmãs Dominicanas de São José estão também prosperando. Elas foram fundadas em 1994 na Diocese de Portsmouth e seguem um modo de vida tradicional dominicano , em clausura, um hábito formal, vida contemplativa e silêncio.

Nos últimos anos, juntei-me a elas em sua anual Caminhada João Paulo pela Nova Evangelização, percorrendo 32 quilômetros por dia a caminho de Walsingham - uma jornada inesquecível em por uma gloriosa zona rural com orações, palestras catequéticas, Missa diária em igrejas antigas e fartos jantares, tudo em ótima companhia. As irmãs andam de hábito completo, ensinando-nos a cantar o Ofício Dominicano. Elas estabeleceram bons laços com as paróquias anglicanas que de bom grado abrem suas portas - e corações - para os jovens peregrinos, que parecem nunca lhes faltar o bom humor, mesmo sob chuva ou calor abrasador (o que é mais desagradável).

Quando não conduzem as peregrinações, as Irmãs realizam cursos para catequistas paroquiais - usando um excelente novo recurso da França "Venha, Siga-me", que é bem contemplativo em estilo. Elas também oferecem retiros e dias de recolhimento, fazem um grande trabalho junto aos jovens, incluindo um acampamento de verão para adolescentes, conhecido como Fanning the Flame[1].

Enquanto as Irmãs rezam o Ofício em seu convento, em New Forest, a pessoa fica impressionada com a intemporalidade: vestes brancas, o tilintar suave de terços, vozes levantadas em canto. Almoçando no quarto de hóspedes, ouve-se os risos vindos do refeitório delas. A cada noite um silêncio pacifico, extremamente repousante, desce. Ao passar um fim de semana no convento com uma jovem amiga, eu entendi seu comentário pensativo: "Sabe, eu poderia me interessar por tudo isso ..."

Neste meio tempo, eu conheci as Irmãs de Maria Estrela da Manhã, na Igreja St. Elizabete, em Richmond, Surrey, onde elas estavam vendendo biscoitos caseiros e geleia para arrecadar fundos para seu convento porque - você adivinhou - o número delas está se expandindo e não tem espaço suficiente. Mais uma vez, de hábitos completos e conversas informais e alegres, no estilo olhando-para-o-futuro.

Para onde tudo isso está indo? Certamente a noção de freiras abandonando todo vestuário religioso ou afirmando compromisso com causas feministas já está muito ultrapassado. As tradições mais nobres das ordens mais antigas permanecerão. Se as ordens mais antigas sobreviverem, será olhando para o seu carisma original e procurando desenvolvê-lo.

As Missionárias da Caridade, fundadas por Madre Teresa em 1950, não parecem muito novas agora, mas ainda estão muito longe de seu centenário e exemplificam muito do que são as novas ordens. Seus hábitos de estilo sari eram bastante revolucionários na época, mas pertencentes à tradição da Igreja de vestimentas distintas e modestas.

Há algo sobre o estilo clássico, servindo uma era moderna, que ressoa. Andando com algumas jovens Missionárias da Caridade em Londres recentemente, eu experimentei a mais extraordinária cortesia e simpatia em todos os momentos. As pessoas abriam caminho para nós nos degraus e escadas, abriam as portas e nos conduziam para a frente, se a rua estivesse lotada.

Ao me sentar na frente de duas das freiras no metrô, vi como as pessoas gostavam de estar ali. Elas estavam recitando o rosário em voz baixa, e volta e meia, um passageiro sussurrava: "Rezem por mim, irmãs", enquanto outro, mais a frente no vagão, tirava um terço em solidariedade silenciosa.

Membros da Comunidade de Nossa Senhora de Walsingham não usam véus, mas capuzes azuis, que elas erguem sobre os cabelos enquanto rezam para dar privacidade e um senso de reclusão. Esta semana vou passar alguns dias com elas, ensinando-lhes bordados de ponto cruz. Eu não sei o quanto eu posso ensiná-los. Mas sei que, passando apenas alguns dias com elas, serei a beneficiária.

Joanna Bogle é escritora, radialista e historiadora

Original em inglês: Catholic Herald


Nota:

[1] Assoprar a Chama