8 Batalhas contra o pecado em que não podemos ser vencidos

Às vezes, a cultura do relativismo nos faz pensar que as questões relativas ao mal e a batalha espiritual não são mais do que ideias teóricas. Começamos a acreditar que nosso pecado é cada vez menos grave.

"Devemos sempre estar vigilantes contra o engano e a sedução do maligno ... Quando um homem forte, totalmente armado, protege seu próprio palácio, seus bens estão em paz ... Nós podemos nos perguntar: eu guardo meu controle? Permaneço vigilante sobre mim? Meus sentimentos? Meus pensamentos? Guardo o tesouro da graça? Protejo a presença do Espírito Santo dentro de mim? Ou então deixo tudo como está, seguro, acreditando que tudo está bem?" ~ Papa Francisco, Homilia em Santa Marta, 11 de Outubro de 2013

Nós os convidamos a meditar em alguns hábitos pecaminosos com os quais muitas vezes concordamos, pecados que nos afastam de Deus e da nossa felicidade. Vamos examinar nossos corações e ficar atentos para que possamos evitar cair nas mãos do inimigo.

1. Quando você permite a raiva controlar suas palavras e ações


"Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal." ~ Mt. 5, 21

Jesus eleva os requisitos do mandamento "não matarás", transpondo-o para um nível espiritual, ensinando-nos que se irritar, insultar e tratar os outros mal é também uma maneira de assassinar. Convido você a se perguntar: quantas vezes assassinamos alguém com nossas palavras, ferindo-os gravemente? Talvez não só internamente, mas também na esfera social e pública com críticas. Aqueles que os ouviram e acreditaram no que você disse estão também envolvidos nessas injúrias.

2. Quando você se deixa torturar com pensamentos imaginários

"Não guarde rancor contra ninguém, para que você não carregue coisas desnecessárias em seu coração" ~ Papa Francisco/Twitter.

Quanta bagagem extra arrastamos pela vida? Muitas vezes, carregamos bagagem emocional pesada por falta de perdão e por ressentimento devido a coisas que existem apenas em nossa imaginação. Ampliamos e exageramos situações, vitimando-nos. É verdade, nos ferimos muitas vezes por dia, mas também é verdade que continuamos alimentando nossos pensamentos ressentidos, planejando nossa vingança ou preparando nossos discursos para atacar o nosso agressor.

3. Quando deliberadamente você mente para esconder alguma negligência

                             © kygp/Flickr

Decerto nem sempre nos comportamos como o "funcionário do mês", pelo contrário, há momentos em que, se fossemos pegos, seríamos os "desempregados do mês".

No trabalho, nem sempre é fácil reconhecer nossas mediocridades, negligências e falhas: as horas que desperdiçamos, ao invés de avançarmos em nossas responsabilidades e assumi-las, gastamos nosso tempo em outras coisas ... Isso, em si, é grave. Mas mentir para esconder é ainda pior; quanto mais culpar os outros por nossas falhas, apartando-nos do que devíamos fazer para culpar o sistema, as máquinas ou as pessoas que não têm nada a ver com nossos deveres de trabalho. Uma boa sugestão para evitar ter que mentir: faça o que você deveria fazer. Jesus é claro e duro sobre o assunto, especialmente quando Ele fala sobre a relação entre mentir e o diabo, referindo-se a ele como o "pai da mentira" e aos mentirosos como seus filhos. Deus nos liberta de ser esse tipo de filho ou filha. Somos filhos de Deus.

"Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." ~ Jo. 8:44

4. Quando você tem vergonha da própria fé por medo de ser rejeitado

                           © Lance Neilson/Flickr

A fé não é covarde. Basta perguntar a grande maioria dos santos do terceiro século: quase todos eram mártires que viveram a sua fé ao limite, assumindo todas as consequências, mesmo dando a vida deles. É bem sabido que "Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama; mas a põe sobre um castiçal, para iluminar os que entram." (Lc 8:16), mas a verdade é que hoje devemos levar essa lâmpada de fé para fora. Não basta apenas colocá-la na mesa de jantar da família, temos que sair com ela para a rua, e uma vez proclamada não se retorna mais à casa para apreciar a luz.

"Deus não nos deu um espírito de timidez. O espírito de timidez vai contra o dom da fé, não deixa que ela cresça, que siga em frente, que seja grande». E a vergonha é o «pecado» de quem diz: «Sim, tenho fé mas escondo-a, para que não se veja muito..." Isso não é a fé: nem timidez nem vergonha. O que é a fé? É um espírito de força, caridade e prudência. Isso é a fé." ~ Papa Francisco, Homilia em Santa Marta, 25 de janeiro de 2015

Vamos anunciar Jesus sem permitir que o medo ou a vergonha entre em nossos corações!

5. Quando você ama as coisas mais que as pessoas

                             © Marina Castillo/Flickr

Sabemos que o Senhor nos ordena "amar o próximo". Essa é a chave para tudo. Falar sobre os erros do materialismo seria repetir tudo o que foi dito sobre o assunto. Quero, ao invés disso, falar sobre nossa fé na prática dentro da Igreja. Frequentemente, nós, católicos, amamos a instituição (a Igreja) e suas práticas mais do que as pessoas que compõem a Igreja. Nós amamos a Eucaristia tanto que, se o padre for entediante em sua pregação ou se o coro canta mal, nos irritamos com eles; nos distraímos e nos ofendemos quando um mau serviço é oferecido para algo tão sublime e amado para nós.

Eu deixo você com esta pergunta. O que amamos mais? As pessoas ou a instituição? Menos ainda se alguém que não se parece conosco e procura nossa comunidade. E não imagine o tatuado, o que usa piercing ou cabelo colorido; prefira pensar em alguém com diferentes idéias políticas, opiniões pastorais contrárias às nossas ou noções litúrgicas mais progressivas. O que amamos mais? Este novo próximo que se junta à nossa comunidade cheio de energia e vida, ou os costumes que apresentamos durante anos e que não somos capazes de mudar? Voltemos ao começo: o novo mandamento deixado pelo próprio Jesus: ame o seu próximo como a si mesmo.

6. Quando comigo, eu mesmo, e eu vem em primeiro -  segundo e terceiro - lugar

"Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos"~ Mk. 9:35

É bom ser reconhecido, é ótimo quando as pessoas veem você fazer as coisas bem e quando elas lhe dizem isso publicamente. É gratificante aproveitar os benefícios de ser o número um e o mais privilegiado. Mas, o que bem faz ser numero e sozinho? Querer sempre se destacar inevitavelmente o isola do resto, o marginaliza e o atrai para um pecado muito grande, semelhante ao pecado em que Satanás caiu: pensando que você é superior e não vê o bem nos outros.

Sentir que você faz tudo bem, mais cedo ou mais tarde, você vai se sentir superior e ver os outros desde as alturas do seu ego. Dificilmente conseguirá reconhecer as virtudes dos outros e, mais preocupante, dificilmente os amará. Tenha cuidado com a cultura dos méritos: Jesus nos ensinou a cultura da gratidão, pela qual somos amados independentemente de nossas conquistas. Somos dignos de ser amados, cuidados e reconhecidos, pelo único fato de sermos filhos de Deus.

7. Quando você permite que a impureza seja parte frequente em sua vida

Como dissemos várias vezes, a luta contra os pecados da impureza não é fácil, é sempre melhor fugir. O prazer não é ruim, mas a busca desordenada pode nos causar dor grave. Com que frequência nós nos permitimos cair pela impureza, porque pensamos apenas em nós mesmos, no que gostamos e no que queremos nesse instante! A maior luta consiste em deixar Deus ocupar mais e mais espaço em nossas vidas, para que possamos ser fortes e banir de nossas vidas os hábitos que nos afastam da castidade. O objetivo não é nunca ser tentado, mas resistir à tentação com a força e a ajuda da graça de Deus.

"Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração." ~ Mt. 5:27-28

8. Quando emoções e sentimentos negativos controlam suas decisões

Não há nada mais prejudicial para você e para aqueles que estão ao seu redor, e nada que o afaste mais da vontade de Deus, do que permitir que emoções e sentimentos negativos se deteriorem: compartilhamos nossas queixas - grandes e pequenas - nas mídias sociais ... buscamos pena ... pesquisamos pelo YouTube afora por músicas melancólicas que nos fazem afundar mais profundamente em nossa tristeza e tornar mais difícil dela sair. Isso não seria um problema real caso você morasse em um mundo de solidão, mas a verdade é que você está cercado por outras pessoas, e é provável que ao chafurdar em desânimo e em sentimentos negativos, seu comportamento diante dos outros não será o mais apropriado. Mesmo as suas respostas diante de Deus podem ser completamente diferentes. Um conselho humilde: nunca tome decisões importantes quando estiver com mau humor. Tente sair desse estado rápido, agarre-se a esperança de que a fé nos oferece e abrace as promessas de Deus, que, mais cedo ou mais tarde, serão cumpridas. Abra as portas de seu coração para aqueles sentimentos amargos é, ao final e ao cabo, abrí-las ao diabo e fechá-las para Deus. Coragem!

"Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo! A nossa alegria não nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do fato de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis" ~ Papa Francisco, Domingo de Ramos 2013

Esta postagem apareceu originalmente aqui para o Catholic-Link em espanhol. Foi traduzido para o português por Legendas Católicas.