Quarta-feira da Semana Santa

Hoje é, claro, a Quarta-feira Santa, o dia em que Judas se esgueirou para fazer seu pacto com os líderes judeus para entregar Nosso Senhor em troca das 30 moedas de prata. Sua traição ecoou ao longo dos séculos e hoje, em grande medida, realizada por vários bispos e clérigos. Embora devamos reconhecer e admitir que todos nós traímos Nosso Senhor cada vez que pecamos, existe uma qualidade única em vendê-lo com base na incredulidade - uma rejeição a Ele.

Quando os seguidores de Nosso Senhor, que de fato creem Nele pecam, caímos pela fraqueza, temporariamente cegos pelo nosso desejo por qualquer pensamento, palavra ou ação pecaminosa que nos assalte. Mas quando a extensão do pecado cometido, é fundamentada em uma rejeição total de Cristo, recusando-se a acreditar em quem Ele é, esse pecado revela-se não apenas de uma magnitude maior, mas de um tipo diferente.

Lembre-se que a traição de Judas começou mais de um ano antes, em Cafarnaum, quando Nosso Senhor anunciou às massas que Ele era o Pão da Vida e o comer físico de Sua Carne e o beber de Seu Sangue eram necessários para a salvação. Foi esse anúncio único, a pregação dessa grande Verdade Eucarística às massas, que fez Nosso Senhor perder as massas. A verdade da Eucaristia, do Santíssimo Sacramento, é tão profunda, tão impressionante em sua revelação do amor de Deus pelo homem que a maioria se recusa a aceitá-lo.

A realidade da Presença Real é simples e, ao mesmo tempo, além da compreensão o que se torna um obstáculo para muitos. Mas essa é Verdade e foi-nos garantido pela boca do nosso próprio Salvador. Da mesma forma como muitos autodenominados seguidores de Cristo hoje em dia acreditam que isso já seja ir um pouco longe demais. Que o Todo-Poderoso escolheria livremente esconder-se sob a aparência de mero pão para que pudéssemos consumi-lo fisicamente e tornarmo-nos mais semelhante a Ele é inconcebível para mais da metade daqueles que hoje são batizados em congregações não-católicas.

Como São João, que foi uma testemunha ocular do anúncio de Nosso Senhor em Cafarnaum, observa em seu Evangelho, que os presentes disseram que isso é muito difícil de acreditar, e eles se levantaram e não andaram mais com Ele. Esta é a lente através da qual o protestantismo pode ser visto ou entendido - aquele sistema de crenças que coloca limites no amor de Deus. A Verdade destruiu qualquer pouca fé que os seguidores em Cafarnaum pudessem possuir porque fé deles não era autêntica - era egoísta - um ponto que Nosso Senhor os acusa logo no início deste relato bíblico. (leiam São João 6)

No entanto, este também é o caso de muitos católicos - obviamente pela falta de recepção do Seu Corpo e Sangue Sagrados. Mais devastador ainda do que a rejeição em massa da profundidade do amor de Nosso Senhor por nós, entre as ovelhas, é a rejeição entre os pastores. Judas era um apóstolo, protótipo de pastores infiéis ao longo da história. E seu modelo de traição é repetido várias vezes: primeiro, vem a falta ou a desconsideração da fé sobrenatural, em seguida, a traição por mero ganho natural. A queda da graça de um padre e, mais ainda, de um bispo, é algo muito angustiante para se contemplar por muito tempo.

Contudo, vemos tudo isso ao nosso redor. Os escândalos sexuais, os escândalos financeiros, os escândalos teológicos, a covardia em anunciar claramente a verdade de Cristo. É como se os líderes da Igreja tivessem decaído para uma perpétua Quarta-feira da Semana Santa, onde estão sempre em consórcio com o mundo, procurando uma maneira de entregá-Lo. Cuidado com esses sacerdotes e bispos de Judas, pois eles são uma legião.

Original em inglês: Church Militant