O Dia da Mãe

O vídeo que trazemos apresenta uma reflexão sobre a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que a Igreja celebra no dia 1 de janeiro todos anos.

Transcrição do Vídeo

Ao fecharmos 2018 e entrarmos em 2019, é sempre gratificante para os fiéis católicos lembrar que o novo calendário sempre começa com a grande festa de Maria, a Mãe de Deus - dia santo de guarda, a propósito.

Se há uma festa que contrasta com tudo o que o mundo apresenta, seria essa festa.

Primeiramente no título, temos o nome Maria. Ela é a virgem imaculadamente concebida, escolhida antes de todos os tempos por seu papel na história da salvação.

Um papel de singular graça e privilégio; tão excelsa Ela é, que os santos referem-se a Ela como a exaltação singular de nossa humanidade. E na sequência, Deus reuniu todas as graças do universo e as chamou de Maria. Maria tinha livre arbítrio para recusar o convite de Deus trazido pelo anjo Gabriel e isso, portanto, faz de Seu "sim", de Seu "fiat" - o início da Redenção.

No título seguinte, Ela é mãe. O papel supremo da feminilidade é a maternidade. No entanto, isso é algo que o mundo deseja negar e o faz, na prática, todos os dias. Maria foi criada apenas para esse papel, para ser mãe.

Foi através de sua maternidade que a Palavra - o Logos Eterno - se encarnou. E quando Ele saiu de Seu trono celestial, Seu destino foi o Seu novo trono no ventre imaculado de Maria.

Tão extraordinário foi esse momento único nos anais da história que até mesmo o Espírito Santo não pôde conter Sua infinita alegria, transbordando-se em Isabel, falando por meio dela e com Ela, chamando Maria de "Mãe do Meu Senhor".

E finalmente no título, encontramos "Deus" - o Divino. Enquanto o homem contemporâneo está ocupado correndo atrás de todos os tipos de coisas "espirituais", os homens vivem a rejeição intelectual ou prática do Divino. Eles se sentem entediados pelo Divino, mas são arrebatados pelas coisas espirituais.

A razão para isso é que a "espiritualidade" é algo que eles vêem como relacionado estritamente a eles, controlados por eles, manipulados por eles por causa de sua vantagem mundana. As coisas divinas, de ordem sobrenatural, não atraem o interesse do homem porque não as percebem como benéficas.

Por fim, nesta terra, a espiritualidade autêntica tem a ver com a Cruz como a própria Maria descobriria, profetizada inclusive por Simeão no templo, quando Nosso Senhor ainda tinha 40 dias de vida. O relacionamento entre essa mãe e o filho não poderia estar mais claramente exposta do que no relato do evangelho de João sobre o casamento em Caná.

Foi aqui que a maternidade de Maria mudou de mãe de Jesus para ser a Mãe Dolorosa. Lembre-se quando Ela pede em favor do casal que não têm vinho - um insulto esmagador para os convidados e fonte de enorme constrangimento - Nosso Senhor responde a Ela com três curtas expressões ditas juntas.

Primeiro, Ele a chama de "Mulher", não de "Mãe", expandindo, portanto, o papel dela de apenas Sua mãe para a Mulher prometida no Gênesis - e predita no Apocalipse - que será escrito também por João alguns anos mais tarde, mas, claro, já sabido por Nosso Senhor.

Daí, a tantas vezes mal traduzida expressão idiomática judaica: "O que tenho eu contigo, mulher?"[1] que significa, "Estamos tão intimamente ligados que tudo o que acontece comigo, também acontece contigo."

Tão unidos eram esta mãe e filho, que com apenas um olhar, Ele poderia transmitir a Ela Seus pensamentos mais íntimos. Essa foi a frase preparatória para o que estava por vir: "Minha hora ainda não chegou".

Em suma, Ele estava dizendo a Ela:

Mãe, se eu realizar este milagre em seu favor, começarei a revelar minha divindade, e quando isso acontecer, começo minha jornada para o Calvário. Quando eu começar essa jornada, você começará a sua também. Você não será mais a Mãe de Jesus, mas a Mãe Dolorosa. Isso terminará para nós dois no Calvário, e naquele local, você se tornará no que você foi criada para ser, a Mãe da Salvação. Mas essa maternidade tem um preço alto, Mãe. Lembra-se no templo quando Simeão disse a você muitos anos atrás - que uma espada lhe atravessaria. Agora, levando em consideração tudo isso, de que você está prestes a assumir o papel da Nova Eva com todas as suas dores e torturas, Mãe, você quer que eu revele a plenitude da Minha identidade produzindo vinho milagrosamente?

Sabendo, é claro, de antemão que Seu filho era o salvador do mundo, como Gabriel lhe dissera, que Seu papel na salvação era oferecê-Lo a Deus desde que O concebeu em Seu seio, Ela se aproximou, O fitou pela última vez de forma singular e maternal em Seus olhos, recordando todos os momentos de carinho e amor quando Ele era Seu menino pequeno e O entrega à crucifixão, que ambos compartilham, pela redenção do mundo- o Dele, físico; o Dela, espiritual.

Este é o amor sacrificial em sua mais alta manifestação, em sua penúltima grandeza: a Mãe da Graça põe-se a caminho para se tornar a Mãe da Igreja também. Jesus não mais pertenceria apenas a Ela, como Ele havia pertencido durante todos esses 30 anos. Ele agora pertencia não apenas à história, mas à história da salvação, e Ela tomou Seu caminho ao longo desta via dolorosa. O Apóstolo João registra para nós últimas palavras dEla na Escritura: 

"Fazei o que ele vos disser"

Que profunda mistura de alegria e tristeza deve ter provocado em Sua Santa Mãe. Ela sabia que esse momento estava chegando, o momento da transformação. Ela sabia disso de uma maneira misteriosa todo o tempo. Com o passar dos anos, Ela se tornou mais preparada para esta solene desfecho.

Tirando a agonia de Seu Divino Filho, nenhum ser humano jamais sentiu a angústia da Mãe Imaculada ao entregar Seu filho a tal morte, como Maria aos pés da Cruz.

E foi lá, no Gólgota, que Nosso Senhor, não tendo irmãos e irmãs na ordem natural, entregou Ela aos cuidados de São João. Mas também foi lá que Ele nos entregou a Ela, pois naquele momento Ela completou Seu papel, não apenas como mãe de Jesus e Mãe de Deus, mas Mãe da Igreja - pois todos os que estão em Deus a têm como mãe.

Pois quem não tem Maria como sua mãe não pode ter Jesus como seu irmão. E quem não tem a Jesus como seu irmão não pode ter Deus como pai.

A Bem-Aventurada Virgem Maria é indispensável para a nossa salvação, porque o Filho de Deus escolheu que assim o fosse, portanto ordenou as coisas desta forma - que Ela seria a Mãe de Deus.

Original em inglês: ChurchMilitant


Nota:

[1] Os registros atuais já buscam se aproximar mais da expressão judaica, traduzindo por "Mulher, isso compete a nós?"